Grupo 7 2017-1

De Projeto Paisagístico
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Trabalho desenvolvido com foco em estudo de paisagem e prospecções na centralidade sul/vetor sul dá RMBH

TP1a

O projeto parte da análise infraestrutural da região leste/sudeste de Nova Lima como um eixo de expansão urbana (de importância metropolitana) e de possíveis novos assentamentos. O objetivo é, então, apontar alguns possíveis cenários futuros para a área. Para tais prognósticos, são estudadas situações análogas: onde a infraestrutura do local e sua dinâmica em relação às cidades que conecta apresentem similaridades a região tema do trabalho.

https://drive.google.com/file/d/0B-LUfshDo72mUWZlb0tLQ2dDN1E/view


TP1b

A área em estudo se insere no Eixo Metropolitano do Vetor Sul, dentro dos limites diretos do município de Nova Lima, mas com influência regional nos municípios adjacentes. Foi delimitado a região próxima do trevo entre a BR-040 e a BR-356, com ênfase nas áreas adjacentes a essas vias e a lagoa dos ingleses. A proposta do grupo foi analisar e elaborar possíveis cenários da paisagem estudada e representá-los por meio de colagens, apontando para três cenários distintos: o tendencial, demonstrando o caminho para o qual a paisagem se desenvolverá caso nenhuma ação seja planejada e implementada; o elaborado pela empresa de desenvolvimento urbano CSul, já existente com a perspectiva de implementar a centralidade definida pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (PDDI-RMBH), mas não efetuado; e um esboçado pelo grupo, com base no que ele acredita ser pertinente e viável, baseado em discussões urbanas recentes e em ideais próprios do grupo, ainda considerando os planejamentos já existentes para a região. Esses cenários são apresentados em forma de colagens sobre a paisagem existente, objetivando explicitar as contradições de cada cenário e provocar a discussão entre os diversos agentes sobre a paisagem desejada e possível que será produzida naquele lugar nos próximos anos.


Metodologia

O projeto partiu de três abordagens. A primeira, de caráter analítico, foi a elaboração a partir de quatro frentes temáticas: um estudo sobre as vias propostas e existentes e a topografia da região; um sobre a ocupação e o parcelamento e sua relação com as áreas públicas ou coletivas existentes, os comércios e as indústrias; um sobre a mineração, as represas, o meio ambiente e o turismo; e uma análise dos diagnósticos e planos já realizados para a região. Desse estudo, decorreu a ênfase da nossa área de estudo para o trabalho final.

A segunda abordagem consiste em estudos de caso análogos a situação do local, nomeadamente: a difusão urbana no sentido do vetor Oeste de São Paulo, em que é possível identificar o mesmo modo de ocupação caracterizado pelos condomínios fechados; a Avenida Raja Gabaglia, em que uma intensa ocupação foi possibilitada pela implementação de uma infraestrutura viária de alta capacidade; a Barra da Tijuca o intenso adensamento verticalizado e a drástica mudança na paisagem e apropriação decorrente desta ocupação; entre outros.

Na terceira abordagem, foi feita a comparação entre os materiais levantados nas duas etapas anteriores e feita uma discussão entre os membros do grupo, tendo em vista questões levantadas pelos estudos sobre dispersão urbana, espaços públicos e processos de ocupação do território, para levantar as contradições de cada um dos cenários previamente definidos, sempre com a infraestrutura instalada na região como foco. O julgamento de potencialidades e deficiências nos levou à uma proposta de ocupação e desenvolvimento considerada preferível, de acordo com o grupo.

O projeto final aqui apresentado, consequência dessas três abordagens, consiste em uma análise infraestrutural da região leste/sudeste de Nova Lima como um eixo de expansão urbana de interesse metropolitano, e de possíveis novos assentamentos.


Levantamentos e Análises

O município de Nova Lima, pela legislação, engloba a centralidade de Nova Lima, o eixo de ocupação da BR-356, e toda a região entre elas, apesar da região de influência direta e indireta alcançar os municípios como Ibirité, Moeda, Belo Vale, Congonhas, Ouro Preto e Belo Horizonte. Pelo seu desenvolvimento tardio no processo de metropolização, que só se deu a partir da década de 90, Nova Lima teve seu processo de formação influenciada por fatores externos como as mineradoras e a polarização gerada por Belo Horizonte.

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Belo Horizonte e a região central de Nova Lima são centralidades consolidadas. Além delas, pela junção dos fatores que iremos explorar, está ocorrendo a formação de uma nova centralidade: a da região da Lagoa dos Ingleses. Nela, há diversos tipos de uso: áreas de proteção ambiental, expansão urbana, uso residencial e uso comercial. A questão principal é a maneira como esses usos ocupam o espaço, e quais agentes promovem tal ocupação.


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Nessa área, têm-se dois eixos: o Eixo Urbano e o Eixo Metropolitano. O Eixo Urbano é aquele que liga as duas centralidades já mencionadas, a de Belo Horizonte e a de Nova Lima; sendo composto, principalmente, pela rodovia MG-030. O Eixo Metropolitano, que é o foco desse projeto, liga Belo Horizonte ao restante do Vetor Sul, através da BR-356 e mais ao sul, pela BR-040. Além dessas ligações, existem vias propostas pela legislação local, para que haja um aumento das maneiras de conexões locais. A intenção é impedir um aumento intenso no trânsito, retirar o fluxo que não condiz com um fluxo rodoviário e diminuir o isolamento dos núcleos residenciais do Eixo Urbano.


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Mais especificamente no limite de área escolhido pelo grupo, temos as seguintes análises:


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A região conta com grandes áreas de mineração de diversas empresas. A maioria está inserida em áreas pertencentes à MBR, Minerações Brasileiras Reunidas SA, que hoje pertence em totalidade à Vale do Rio Doce. A atividade mineradora conteve a expansão desordenada do Vetor Sul.

Mais ao sul, dentro dos limites de Nova Lima, existem três represas, uma delas ao lado do Eixo Metropolitano, chamada de Lagoa dos Ingleses. Ela representa status, tanto para quem mora em sua proximidade, como para quem pratica alguma atividade fornecida na Lagoa.


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Pelas limitações de relevo, com encostas frequente; atividade mineradora e o potencial de erosão por ela causado; presença de represas; áreas de proteção ambiental; e a localização das vias existentes, e das propostas; as áreas urbanizadas são espalhadas, sem muita conexão entre si e geralmente próximas às vias principais de interligação.


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Quanto ao Zoneamento, a área é uma região complexa, tendo diversas classificações para as zonas existentes. Apenas na questão residencial, existem cinco tipos diferentes de zoneamento. Em relação ao Eixo em estudo, os zoneamentos predominantes são os relativos ao uso residencial, comercial e uma vasta área destinada à preservação ambiental.


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As residências no Eixo Metropolitano são dadas em forma de condomínios. Eles são fechados, com alta segurança, e acessíveis apenas para os residentes e convidados. As paisagens dentro dos condomínios são belas e extremamente planejadas; no entanto nem sempre usufruídas e utilizadas, pelo pensamento individualista e de privacidade que predomina sobre os moradores desse tipo de residência. Tais paisagens contam com belas vistas para a natureza, seja para o horizonte montanhoso ou para as águas da Lagoa dos Ingleses, no caso do condomínio Alphaville.

A questão que o grupo considerou de maior importância, são as dos condomínios que permeiam a BR-365 no Eixo Metropolitano, as ocupações que eles atraem, o isolamento social, a apropriação de paisagem consequente, e os impactos na paisagem pública desse trecho do Eixo.

Os condomínios da região, como o Alphaville, são exclusivos aos moradores, com grandes muros que criam barreiras ao exterior deles. Sua preferência de localização encobre as paisagens para quem passa pela rodovia, ou para as futuras construções nas adjacências. Os próprios condomínios, dentro de seus limites, têm caráter privativo, pois apesar das áreas de recreação, o convívio entre os moradores é mínimo. Esses locais servem não só como residência, mas local de isolamento privilegiado a parcela da população que possui recursos. Além dos aspectos da parte residencial, têm-se a forma como se ocupa o espaço e o acesso à ela, e o uso que se dá em tais espaços.

Esse tipo de ocupação residencial atrai comércios e serviços, que buscam estar em local de grande visibilidade e fácil acesso. Assim, a tendência é que se instalem às margens da BR. Como não há legislação prevendo esse tipo específico de ocupação, ou alguma coordenação para não ocorrer um processo desenfreado, podem haver consequências danosas ao bem estar e à paisagem da região estudada.

Com esse estudo, o grupo concluiu o que seriam potencialidades e deficiências da região, a fim de propor as diretrizes do projeto paisagístico. Foram decididas como ideais, paisagens que não incentivassem o aspecto urbano caótico, a individualidade e privacidade exacerbada e o trânsito intenso. Tem-se assim, que a paisagem do local, com o aumento de vias de acesso, as restrições devido às áreas de proteção, o baixo adensamento e a área ainda a ser explorada, são aspectos considerados positivos. Já os condomínios enclausurados, as barreiras, a ocupação desenfreada de comércios e serviços, e a relativa privatização da paisagem, são vistos como aspectos negativos.

No entanto, é importante incentivar que há o entendimento de que apenas a criação de espaços público não é o suficiente para criar relações sociais entre pessoas desconhecidas, ou trazê-las para a rua. O discurso de termos genéricos como “qualidade de vida” e “bem estar”, promovido pelo Novo Urbanismo, apenas gera locais padronizados e repetições que não levam em consideração as diversidades necessárias, não gera as centralidades desejadas, ou resolve os problemas de mobilidade.


Casos Análogos

A partir dessas análises, foram buscados exemplos considerados positivos e negativos, que remetem às possíveis situações que a região pode desencadear. Assim, temos: o Vetor Oeste - SP, a Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, e a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como negativos; Hauts de France, Terril des Argales, Corredor Verde, na Colômbia, e Almere Oosterworld, na Holanda, como negativos.

Vetor Oeste-SP: urbanização dispersa, tendo a indústria automobilística como estruturador, ou seja, espaços que priorizam carros, velocidade e dispersão. O eixo viário é o estruturador, com grandes complexos de comércio e serviços ao longo das principais vias. Há uma busca pela natureza e fuga do caos dos centros urbanos, o que leva a classe alta a estabelecer-se em condomínios afastados e murados. Esses são os elementos estruturadores da paisagem, tidos como locais de residência almejados, incentivados pelos anúncios nas rodovias vendendo o imaginário de morar junto à natureza, busca do individualidade e exclusividade.

Avenida Raja Gabaglia: avenida importante em Belo Horizonte. É um eixo viário na Zona Centro-sul, tida como de renda média alta que liga o bairro de Lourdes ao bairro Belvedere, os mais ricos desse zoneamento. Inicialmente pensada apenas como eixo de ligação, teve sua ocupação de forma desordenada, sem planejamento e sem conectividade ao longo de seu percurso. Tem, ao seu final, ligação com a BR-356, que dá caminho à Nova Lima. Percebe-se discrepância nos trechos da avenida, tendo casas mais luxuosas em seu início, ocupações irregulares e favelas ao longo do trajeto e a conexão com a BR ao final, com acesso ao BH Shopping.

Barra da Tijuca: região planejada, porém com grande influência dos proprietários de terra e do setor imobiliário, levando à empreendimentos de grande porte. A questão do imaginário, nesse caso, atua na maneira como as pessoas veem a Barra da Tijuca: local de status, belas paisagens e residências de luxo; fato que pode-se perceber pelas sugestões geradas pelas pesquisas no Google.

Hauts de France: localizada na França, é uma região de antigas minas de carbono, que busca resgatar ecossistemas, através de revitalização das áreas desgastadas, práticas públicas e disponibilização das regiões como práticas de lazer, esporte e turismo.

Terril des Argales: região de minas abandonadas na França, que foram tratadas e revitalizadas como lagos cercadas de área verde.

Corredor Verde: Cali, na Colômbia, é uma cidade assentada na base de uma cordilheira onde desciam fontes de água, e também contém um antigo corredor férreo que atua como elemento de descontinuidade transversal da cidade. Seu planejamento urbano e paisagístico tenta recompor a rede ecológica, integrar socialmente e espacialmente a cidade, equilibrar o corredor verde com transporte público.

Almere Oosterworld: método de urbanismo orientado pelo usuário, qualquer que ele seja, e flexível, sem forma ou uso definido. Há apenas algumas regras e pré-requisitos para garantir uma parcela de área verde e de sustentabilidade para o desenvolvimento da comunidade. Trabalha com a intuição de cada residente e sem prazos, tendo assim um processo orgânico, com um ciclo de edificações e arquitetura de acordo com as demandas de mudança. Há apenas a necessidade de fornecer infraestrutura que faça isso ser possível. O urbanismo é inesperado, tendo um resultado privado, público e coletivo, ao mesmo tempo.

Além disso, a CSul - desenvolvimento urbano, já tem um projeto para região, mais especificamente, na Lagoa dos Ingleses. É apresentado um Masterplan, criado por Jaime Lerner, com previsão de implantação de 40 anos, inspirado pelo Novo Urbanismo já mencionado. “Paisagem como principal atração, a lagoa como grande atrativo e o relevo com referência”. É mostrado como área de moradia, trabalho, cultura e lazer. Porém como todo empreendimento, a propaganda exclui os âmbitos polêmicos ou negativos do projeto.

Através desses exemplos, o grupo pôde entender quais são as práticas que realmente podem resolver o que foi apontado como problemas, e quais são as que trarão os benefícios buscados. À partir desse estudo, o grupo buscou uma forma de representar esses cenários, para uma melhor compreensão da paisagem, e para o desenvolvimento das diretrizes desenvolvidas.

Foi decidido que há necessidade de quebra das barreiras, físicas ou não, e de comunicações melhores entre os espaços, público e privados; desvalorização do sistema viário como estruturador da paisagem; compartilhamento da paisagem, sem privilégio para as classes mais altas; desvalorização da arquitetura que não pensa no espaço inserido; ordenação na ocupação; correlação com a natureza; o melhor aproveitamento das regiões de antigas mineradoras, e uma melhor relação das ativas com a paisagem ao seu redor.


Representação dos cenários

A maneira encontrada para demonstrar todos esses aspectos mencionados, foi o uso de colagens sobre a paisagem local. Foram criadas colagens sobre três cenários: o tendencial, o proposto pela CSul, e o proposto pelo grupo. No cenário tendencial, foram exacerbados os aspectos considerados negativos, para ressaltar tais pontos da formação da paisagem. No cenário CSul, buscou-se mostrar os aspectos que a propaganda e o anúncio não explicitam, que são potencialmente problemáticos para o que o grupo considera ideal. No cenário proposto pelos integrantes, buscou-se retratar uma paisagem condizente aos aspectos apontados como positivos, porém sem criar uma pré-determinação de toda paisagem, e sim, diretrizes e ideais. O objetivo era retratar o que deve ser valorizado e trabalhado, podendo criar imagens mais concretas da maneira como deve ser feito, porém sem projetar todo o ambiente. Na apresentação, foram utilizados gifs para retratar, em cada situação, as diferenças de forma mais clara. A imagem variava entre a base original de como a região se encontra atualmente, e as montagens que retratam a perspectiva do grupo sobre cada cenário futuro.


Cenário Tendencial

A colagem do cenário tendencial retrata a BR-356 como via de ligação no Vetor Sul da RMBH. Foram representados os grandes equipamentos com fachada cega, o trânsito gerados por eles, bem como a falta de priorização do pedestre, que fica clara nos pequenos espaços destinados à sua permanência e travessia.

Colagem da prospecção do cenário tendencial.
Colagem da prospecção do cenário tendencial.
Colagem da prospecção do cenário tendencial.
Colagem da prospecção do cenário tendencial.


Cenário CSul

A imagem gerada para representação do cenário CSul conta com divisões espaciais que mostram a “privatização do verde”, assim como a falta de previsão e planejamento para as áreas adjacentes à do projeto.

Colagem da prospecção do cenário da CSUL.
Colagem da prospecção do cenário da CSUL.
Colagem da prospecção do cenário da CSUL.
Colagem da prospecção do cenário da CSUL.


Cenário Proposto

O cenário proposto, elaborado pelo grupo, mostra a integração da paisagem como um todo, evitando segregação ou formação de espaços residuais. Considerando os processos de ocupação já existentes na região, e a potencial intensificação da mesma com a promoção da nova centralidade, o objetivo foi o de permitir a existência de espaços próximos da lagoa de uso público, evitando a apropriação deste lugar exclusivamente pelos condomínios fechados. Pensando em alternativas para sua ocupação, evita-se o parcelamento desordenado fora dos limites dos condomínios fechados e um espaço mais democrático para toda a região de influência da centralidade.

Colagem da prospecção do cenário ideal.
Colagem da prospecção do cenário ideal.
Colagem da prospecção do cenário ideal.

Apresentação do trabalho

Confira a apresentação do trabalho, com as imagens mostrando o antes e o depois.

Apresentação do Trabalho [1]