Grupo 9 2017-1

De Projeto Paisagístico
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Introdução ao projeto

A Lagoa dos Ingleses foi criada inicialmente como uma barragem para armazenar água da chuva que posteriormente seria utilizada para gerar energia elétrica para a Mina do Ouro Velho. George Chalmers investidor da região já em 1894 planejava tornar a região da Lagoa dos Ingleses, uma área habitacional, afim de abrigar os empregados que trabalhavam na Mina do Ouro Velho, principalmente os imigrantes ingleses que dão jus ao nome. Em 1990 o desenvolvimento do vetor sul atraiu uma parcela da população de Belo Horizonte para a Região de Nova Lima, a partir daí os empreendimentos foram surgindo, sendo os principais o condomínio Lagoa dos Ingleses em 1998 e o projeto da Csul em 2013, e com eles uma disputa de interesses e território na ocupação da área por grupos sociais diversos. O envolvimento de grupos sociais com modos completamente distintos de uso e significação do território, vivem em conflito constante na disputa e controle do espaço, claramente visto na região em questão. Onde se encontram os trabalhadores que servem à região? Os que precisam de ônibus para se locomoverem? Onde se encontra o proletariado em espaços homogêneos, como estão sendo criados na Lagoa dos Ingleses? E, ainda mais, pelo projeto de desenvolvimento da CSUL? Nesse ponto, fica apontada claramente a questão espacial como ponto chave entre a relação entre poder e ocupação do meio. Lefebvre vê o espaço como algo social e construído politicamente. Então, sendo a sociedade que construi o próprio espaço, onde se encontra a diversidade vendida pela Csul em seu novo empreendimento da Lagoa dos Ingleses? Ou como é possível ter diversidade em um evento onde o ingresso chega a quase 80% do salário mínimo brasileiro? Dados tantos questionamentos, fica cada vez mais difícil dissociar o capitalismo e a especulação imobiliária forte da produção de um eixo de crescimento da cidade. Dentro do programa da Csul, pontos fortes que são frisados é a visão de um novo urbanismo e uma evolução do estilo de vida mineiro. É difícil mensurar o que seria essa visão de novo urbanismo, já que trata-se de se dar as costas para cidade e viver com iguais sob uma cidade cercada. “Acreditamos na diversidade e na sociabilidade como valores fundamentais das soluções urbanísticas que concebemos.” – trata-se da venda de um produto com um discurso completamente paradoxal ao que se é realmente produzido. Essa nova produção do espaço, é na realidade a produção de um espaço abstrato, em que o capitalismo atribui essa tendência de homogeneização, tornando o espaço uma mercadoria, como qualquer outra. E essa comercialização cega só gera grandes fragmentações de espaços padrões negociados a partir da lógica do mercado. Seja ele em forma de um lote, uma casa ou um espaço comercial. Comercializado da mesma forma em que se vende uma fatia de bolo, ignorando as consequências no meio ambiente ou dentro da sociedade. O empreendimento da Csul, como muitos outros dentro da lógica do mercado imobiliário projetam uma concepção que se é uma completa abstração do espaço real produzido. Sendo assim, segundo Lefebvre a única possibilidade de afirmar a pluralidade de um espaço vivido é quando o estado tem um mínimo controle do poder de ocupação ou a participação de movimentos sociais na luta por representação na ocupação de um espaço, o que tem se visto bastante acontecer também em Belo Horizonte. Na intenção de transformar a cidade em um ambiente mais vivo e democrático, o estado trabalhando como protagonista na mudança da lógica do capital, deveria ter sua atuação pautada em alianças com movimentos sociais, ao invés de alimentar ainda mais a exclusão e a fragmentação do espaço gerada pelo mercado financeiro. É importante estar atento, que mesmo sob sociedades capitalistas, o uso do espaço não está completamente na mão do mercado já que ainda o Estado cumpre o papel de regulador da ocupação e ordenamento do que se é produzido, através da legislação de zoneamento e outros meios, ainda que se ache brechas para burlar leis de controle do mercado imobiliário ou preservação ambiental por exemplo. Esse tipo de conflito na produção do espaço, refere-se principalmente ao ordenamento territorial diferenciado entre interesses econômicos e classes sociais. E portanto é possível traçar as consequências desses processos sócio-espaciais, como a expansão gentrificadora do vetor sul de Belo Horizonte, envolvendo grandes investidores e segmentos sociais de baixa renda que mantém esses grandes espaços como mão de obra indispensável, porém são completamente negligenciadas de tais empreendimentos imobiliários. Tais conflitos ameaçam a beleza e a qualidade de vida cênica vendida pelos empresários, criando conflitos socioterritoriais.


Apresentação do TP1a

Apresentacao TP1a


Apresentação do TP1b

Apresentacao TP1b