Hipercentro de BH

De Projeto Paisagístico
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  • Integrantes do Grupo 9: Ana Elisa De Leo, Gabriel Nardelli, Isabela Lopes e Marina Reis

Temas de discussão

Para embasar as discussões sobre a paisagem urbana, foram sugeridas a leitura e a análise de artigos sobre os temas a seguir:

  • Paisagem

Artigos para leitura Notas de Gabriel Nardelli

  • Paisagem Social, Econômica e Cultural

Artigos para leitura Notas de Marina Reis

  • Natureza Urbana

Artigos para leitura Notas de Isabela Lopes

  • Paisagem Infraestrutural

Artigos para leitura Notas de Ana Elisa De Leo


Área de estudo

Área chamada "Zona cultural", localizada no setor Central da OUC ACLO, no Hipercentro de Belo Horizonte.

Areahbdjagbj.png

My Maps

https://www.google.com/maps/d/edit?mid=1UfCvKx2_69JS0VirvlqYkU75tpE


Discussão central

Desenvolvido por Marina Reis


A nossa discussão central é: em que medida a Operação Urbana Consorciada ACLO, nos moldes em que está proposta, efetivamente desempenha um papel de “reestruturar algumas das áreas mais vitais da nossa cidade, criando novas alternativas sociais, ambientais e econômicas” ou é apenas mais uma distorção desse instrumento, para servir aos interesses e à lógica de mercado, leiloando para quem puder pagar mais, quase 10% do território da nossa cidade?

Para isso, faremos um recorte inicial na denominada zona cultural, situada no setor Central da OUC ACLO (no hipercentro). É importante ressaltar que essa área é uma zona cultural por princípio: esse uso do espaço para manifestacões diversas de arte esta ai antes mesmo da conceituação como tal; as ações ali praticadas ja lhe atribuem esse sentido. De acordo com o que define Sette, esse ja é além de um espaço urbano, um espaço público.

Nesse sentido, o que entendemos como fundamental nas proposições para a área é que elas assegurem que a população que ja ocupa esse espaço, esses agentes que dão significado e sentido a denominação “Zona cultural” não sejam expulsos por um processo de gentrificação. E vislumbramos nos espaços de vacancia um potencial para atender as demandas insurgentes desse espaço, sem modificar drasticamente a paisagem, que se configura como imprescindível para os usos que ali estão estabelecidos. Além disso, conectar esses novos equipamentos com os equipamentos ja existentes, como o Palacio das Artes, o teatro Espanca!, teatro Francisco Nunes, o museu de Artes e Oficios, o centro cultural da UFMG, o Cine 104, e alguns outros, potencializando seu usos.

Na medida em que compreendermos melhor as mudanças propostas para essa área, faremos contrapropostas, se for o caso, visando sempre o cumprimento da Função Social da cidade e da propriedade. Em tempos como estes, cumprir o que manda a constituição parece ser uma obrigação fundamental, apesar de esquecida.

Ideias para a área

Desenvolvido por Ana Elisa De Leo


A proposta de criação do "Corredor Cultural" na OUC ACLO de Belo Horizonte consiste da revitalização de diversos espaços existentes no baixo centro da cidade, habilitando-os para seu uso cultural e buscando atrair um novo público para a região, por meio de alargamento de calçadas, implantação de iluminação pública e a criação de equipamentos como a Sede do Ministério da Cultura e a Escola Livre de Artes.

A proposta é atualmente muito questionada por ter tido uma participação tardia da sociedade civil e por hoje a região já funcionar como zona cultural, abrigando inúmeros movimentos insurgentes, que aconteceram e acontecem de forma espontânea, como, por exemplo, o Duelo de MC’s, a Praia da Estação, o próprio carnaval de rua, o BAixo BAhia Futebol Social e o Domingo Nove e Meia. Ademais, o local é importante palco para manifestações políticas e reuniões de cidadãos e coletivos engajados com a situação de Belo Horizonte. Linha do Tempo

Além disso, a criação de equipamentos culturais na região valorizará o espaço, acarretando na expulsão de moradores e comerciantes locais que provavelmente não conseguirão acompanhar a elevação dos preços praticados no baixo centro. Há, também, que se levar em consideração a população em situação de rua que se estabeleceu no local e não foi estimada na proposta.

A partir dessa situação, buscam-se soluções para que o Baixo Centro seja um espaço mais democrático do que é atualmente, e que as populações frequentadoras e moradoras do ambiente não sejam expulsas pela gentrificação do local.


Diretrizes do trabalho:

  • Fixar a população que reside e que frequenta o local, bem como os pequenos comerciantes.
  • Incentivar uma tipologia de moradia aos moldes sociais, para atrair populações periféricas para o centro da cidade.
  • Criar medidas para proteger os eventos que ocorrem de forma espontânea e incentivar o surgimento de novos (por exemplo: fechar o Viaduto Santa Tereza, ou outras avenidas, uma vez por semana - como ocorre com o Minhocão em SP).
  • Propor serviços de infraestrutura acessíveis como UPAs, UMEIs, Restaurantes Populares, Cozinhas Comunitárias, hortas comunitárias e espaços para oficinas profissionalizantes nos espaços vazios e/ou desocupados.


Metodologia:

  • Processo colaborativo, com grande participação da população, visando a redução da hierarquia nas tomadas de decisões, por meio de consultas e reuniões com a sociedade civil em todas as etapas de projeto (atualmente ocorrem várias reuniões para propor um novo projeto para o local, com a participação de um conselho com representantes de diversas partes da sociedade interessadas no assunto).

Como manter as Atividades Culturais

Desenvolvido por Gabriel Nardelli e Isabela Lopes


Como forma de garantir a presença das atividades e grupos culturais já existentes na área do corredor cultural, é importante primeiramente entender um pouco mais sobre eles, para daí perceber quais seriam as suas necessidades e de que forma poderiam ser conquistadas.

É de interesse destes movimentos que os espaços por eles utilizados tenham boas qualidades ambientais para que seus participantes tenham uma boa experiência. Dessa forma, a análise das necessidades dos grupos culturais que se apropriam de espaços públicos muitas vezes gera demandas por mudanças nas áreas, que também favorecem os outros usuários.

Neste sentido, o conhecimento destas necessidades pode trazer melhorias para o ambiente urbano anteriormente degradado, ao mesmo tempo que fortalece as iniciativas culturais existentes.

Esta é uma forma interessante de tratar a melhoria dos espaços públicos da cidade, e é o que diferencia o conceito de placemaking e o de gentrificação.

O “Corredor Cultural” proposto pela OUC implicaria na construção de Museus e outros espaços voltados para a cultura institucional que deflagrariam um processo de gentrificação na área. O processo de gentrificação ocorre em áreas que o mercado tem interesse em explorar, porém já são ocupadas por outros públicos. Dessa forma, sob o argumento de revitalização, ocorre a expulsão destes usuários e a substituição por um púbico de maior poder aquisitivo. Ou seja, pela proposta gentrificadora da OUC dificilmente as atividades culturais hoje existentes no baixo centro conseguiriam permanecer ali, ao passo em que sob a visão do placemaking sairiam do processo fortalecidas.

Um dos primeiros movimentos a se firmar na região, o duelo de MCs, teve início na Praça da Estação em 2007. A escolha do local se deu pela sua acessibilidade, já que a região é facilmente acessível por ônibus e metrô. O primeiro encontro não tinha grandes pretensões: um grupo de amigos fãs de hip-hop que buscavam se encontrar para fortalecer o movimento musical.

Da Praça da Estação, o movimento se desloca para debaixo do Viaduto Santa Tereza, principalmente para se proteger da chuva. Lá o movimento se fortalece. As 20 pessoas que se encontraram em 2007 se transformaram em mais de 1500.

No ano de 2007, o viaduto estava esquecido pela cidade não possuía iluminação ou qualquer forma de limpeza, mas mesmo assim o coletivo lutou para fazer dele sua casa. A conquista veio por meio de várias batalhas com o poder público em busca do alvará, e de infraestruturas para a realização dos encontros.

Entre as demandas atendidas pelo poder público estão a melhoria da iluminação sob o viaduto, a instalação de um ponto fixo de energia e a instalação de banheiros e lixeiras móveis durante os duelos.

Com o crescimento do movimento, surgiram também problemas. Em uma entrevista ao Jornal O Tempo, Monge, membro do coletivo Família de Rua falou sobre a decisão de paralisar as atividades do duelo de Mcs no ano de 2013. Segundo ele o duelo cresceu muito rápido e de um público pequeno logo se transformou em uma multidão, o que começou a causar problemas de segurança. O grande público atraído pelo evento acabou também atraindo usuários e traficantes de drogas que se escondiam entre os participantes. A questão da insegurança durante os eventos é, porém, apenas um reflexo de um problema maior, o descaso das instâncias municipal e estadual.

A breve história do duelo de Mcs nos mostra algumas formas de manter estes movimentos culturais na região. O primeiro passo realizado por eles foi procurar um local que fosse facilmente acessado por todos os interessados. Como os participantes do movimento vem de todas as partes da cidade e tem diferentes faixas de renda, o transporte público de qualidade é um fator importante para a democratização dos eventos culturais.

A mudança para o vão do viaduto Santa Tereza ocorreu em busca de um teto. Em um clima tropical como o de Bh, o forte Sol e as constantes chuvas, principalmente no verão, a existência de uma proteção, como é o caso de baixios de viadutos, é bastante propícia e benéfica para a realizações de eventos culturais, garantindo um maior conforto para os participantes.

A ocupação de uma área passa também por uma criação de uma identidade do movimento com ela. No caso do duelo de Mcs, sua proximidade com outras artes como o grafite possibilitou que a pintura das estruturas sob o viaduto desse identidade ao espaço, facilmente reconhecido pelos seus participantes. A questão da apropriação e sentimento de pertencimento dos espaços é importante não só para a permanência dos movimentos, já que seus membros passam a lutar mais pelo local que criaram um forte vínculo, mas também para a preservação dos espaços, que são tratados com maior carinho por aqueles que se sentem responsáveis por ele. Dessa forma, é fácil compreender a luta do movimento Duelo de Mcs contra o uso de tintas contra pichação, proposta pela prefeitura de Bh no momento da reforma do viaduto em 2014. O grafite é uma marca do movimento, e sua proibição poderia resultar em uma perda de identidade com a área.

Assim sendo, uma das formas de fortalecer os movimentos na região é possibilitar formas de expressão que criem identidades destes com os locais em que ocorrem.



Duelo de mcs.jpg



Outras questões que podem contribuir ou não pela permanência dos movimentos do baixo centro estão relacionados a questões políticas e burocráticas. O movimento Duelos de Mcs relata que, no período em que o viaduto esteve fechado para obras, sua intenção era de realizar os duelos em outros espaços da cidade, porém devida à burocracias ligadas ao ano eleitoral não seria possível a isenção da taxa de alvará para a realização de eventos em locais públicos. Com a ausência de um incentivo por parte do município, vários grupos culturais, como inclusive foi o caso do Duelos de Mcs, ficam impossibilitados de realizarem eventos, já que muitas vezes se tratam de coletivos sem fins lucrativos e de acesso gratuito. Assim sendo, é de responsabilidade do Estado o incentivo fiscal e a desburocratização para que mais eventos culturais possam ocorrer em locais públicos da cidade.

A dificuldade de se conseguir um alvará para a realização dos eventos, quando não impede a ocorrência do mesmo pode resultar em conflito com outras atividades programadas na cidade, além de poder gerar insegurança para os frequentadores e para outros usuários da região. A segurança inclusive é outro fator que pode determinar o sucesso ou não de uma iniciativa cultural. A presença de um grande público requer medidas preventivas para que o evento ocorra sem incidentes. O que se observa hoje é o despreparo das forças policiais para lidar com ocupações de espaços públicos, especialmente quando são de jovens. Logo, o melhor preparo das forças de segurança para lidar com este tipo de acontecimento é essencial não só para a manutenção das ocupações culturais na região, mas também o seu fortalecimento e crescimento.

Por fim, a presença de uma infraestrutura básica é fundamental não só para que vários tipos de atividades culturais ocorram, mas que também o espaço seja passível de uso pelos cidadãos no seu dia-a-dia com dignidade merecida. A manutenção da iluminação pública com qualidade, calçadas bem cuidadas, áreas limpas e providas de lixeiras e presença de banheiros públicos seja tanto para o uso do público dos eventos quanto dos moradores de rua ou pelo cidadão que se desloca pela cidade é mais do que um incentivo para os grupos culturais, é um investimento na qualidade de vida dos moradores e usuários de região.



Duelo noklrturno.jpg



Diferentes manifestações culturais terão diferentes necessidades a serem atendidas para se fortalecerem na região.

Diferentemente do duelo de Mcs, A ocupação da Praça da Estação começou em 2009 como um movimento político contra a decisão autoritária da prefeitura de Belo Horizonte de proibir a realização de eventos de qualquer natureza na praça da estação. O primeiro encontro chamado de “vá de branco” reuniu cerca de 50 pessoas, e nele ficou organizado um segundo evento, que seria chamado Praia da Estação. Este evento reuniu cerca de 300 banhistas. O movimento cresceu e na última edição, no dia sete de janeiro de 2017, reuniu cerca de 5.000 pessoas.

O movimento Praia da Estação não precisa de uma cobertura ou proteção como o duelo de Mc, muito pelo contrário, quanto mais Sol melhor para seus participantes. A infraestrutura necessária para seu acontecimento, em teoria é apenas uma esplanada, tal qual a da Praça da Estação, capaz de receber o público crescente. Outras características como as fontes existentes no local - assim como na Praça da Savassi que também já recebeu edições do encontro – ajudam o evento a ficar mais interessante, mas mesmo quando não é o caso de as fontes estarem ligadas, independentemente de qual seja o motivo alegado, isso não atrapalha o encontro, já que os participantes têm costume de realizar uma “vaquinha” e chamar um caminhão pipa.



Praia da estação.jpg



O principal fator para manutenção de um evento tal qual a Praia da Estação é a legislação. Nascido como forma de protesto, o movimento corre riscos de ser usado pela prefeitura e desvinculado do seu principal objetivo que é conscientizar a população sobre o uso dos locais públicos e lutar contra a sua privatização. Segundo Fideles Alcantra, organizador do movimento, a tentativa de inclusão da Praia da Estação no calendário de eventos da prefeitura é uma tentativa de desmobilizar o movimento e de usá-lo para benefício próprio. A prefeitura já tentou fazer essa inclusão no carnaval de 2010, queriam transformar A Praia da Estação em Samba da Estação, que acabou virando Sol Estação de Samba. Foi uma forma que a prefeitura viu de descaracterizar o movimento, tentando fazer com que a população não tenha ciência do objetivo primordial da manifestação.

Novas Propostas para a Zona Cultural

Desenvolvido por Isabela Lopes e Gabriel Nardelli


Como comentado anteriormente, a proposta da OUC ACLO para a região baseia-se na criação de um "Corredor Cultural", por meio da implantação de novos equipamentos culturais na área, como Museus e a Escola Livre de Artes, visando atrair um novo público. Tais medidas parecem desconsiderar o fato de que "o corredor cultural já existe" e que os diversos eventos que já ocorrem na área são capazes de atrair um grande público. Diante disso, os movimentos sociais e culturais da região lutam para substituir a ideia inicial de se fazer um "Corredor Cultural" como projeto gentrificador pela elaboração de diretrizes urbanísticas para a região, com a participação de representantes da sociedade civil que habitam e utilizam a área cotidianamente.

Com base nos estudos apresentados no tópico anterior desse trabalho, nota-se uma demanda por infraestruturas para manter as atividades culturais já existentes e estimular o surgimento de novas. Pelo mapeamento dos movimentos insurgentes na Zona Cultural (My maps), nota-se que o Viaduto Santa Tereza é uma centralidade, convergindo várias apropriações sob ele e em seu entorno imediato. Isso demonstra que não é necessária uma edificação formal e de funções específicas para abrigar usos variados. Assim como o vão livre do Masp e a marquise do Parque Ibirapuera, o Viaduto Santa Tereza gera um espaço coberto, protegido do sol e da chuva, que é muito adaptável para sediar uma infinidade de atividades. Esses espaços são “estruturas muito simples do ponto de vista espacial e que apesar da indeterminação programática detêm, no entanto, um forte caráter arquitetônico” (BRAGA, 2006, p.190), mostrando-se abertos a apropriações imprevistas.


Maspviaduto.jpg

À esquerda, o vão livre do Masp e a marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. À direita, o baixio do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte.


Outra vantagem do espaço sob o vão do Viaduto em comparação a um Museu ou a um edifício que pretende ser um centro cultural, é a sua relação direta com o espaço urbano. O baixio de um viaduto é um espaço naturalmente democrático, que pode ser acessado por qualquer pessoa a qualquer hora do dia. Um edifício, por sua vez, pode apresentar barreiras para o uso efetivo da população que já reside na região, sendo determinante para o início de um processo de gentrificação.

Além disso, a construção de um edifício para abrigar atividades culturais, seja ele um Museu ou um Teatro, implica em investimentos constantes e muitas vezes depende do patrocínio de grandes empresas. Quando ocorre de essas empresas cortarem o patrocínio, esses espaços acabam não conseguindo se manter e tendo que fechar as portas. Esse é o caso do Teatro Alterosa, que já abrigou vários espetáculos importantes da história do teatro brasileiro e que será fechado em fevereiro de 2017, devido à carência de patrocínios, sobretudo após o fim do apoio dado pela Petrobras. De acordo com a diretora de teatro Papoula Bicalho, “o fechamento de um teatro deste porte é uma grande perda para a cena cultural de Belo Horizonte”.

Além das demandas diretamente relacionadas às atividades culturais existentes na área, percebe-se também a carência de infraestruturas básicas que facilitem o deslocamento de pedestres pela região. O território é bem irrigado do ponto de vista da mobilidade urbana, sendo acessível por transporte público por cidadãos de toda a região metropolitana. A mobilidade de pedestres e ciclistas pela área, no entanto, ainda se mostra bastante problemática. O eixo do metrô “corta” a Zona Cultural e representa uma grande barreira para a travessia. Em toda a área de estudo, há apenas três pontos de transposição do eixo do metrô. Dois destes pontos, que ainda assim não são de fato voltados para o pedestre, são as estreitas calçadas da Avenida do Contorno e do Viaduto Santa Tereza, mapeadas abaixo.


Transposiçoes12.jpg


Somam-se a essas duas travessias, apenas uma terceira, porém não acessível, que trata-se de uma escadaria que conecta a Rua Sapucaí à Estação Central do Metrô (imagem abaixo). Todas as 3 transposições existentes na região encontram-se mapeadas também no My maps.


Escadariasapucai.jpg


Em suma, percebe-se uma demanda pela criação de travessias de boa qualidade para pedestres e ciclistas na área. Pensando também na demanda por infraestruturas que fortaleçam as atividades culturais existentes e estimulem o surgimento de novas - mas que não sejam equipamentos culturais de um processo gentrificador - uma ideia que propomos para a Zona Cultural é o projeto de novas transposições. Essas novas passarelas, ao mesmo tempo em que melhorariam a mobilidade de pedestres pela região, também poderiam abrigar novas atividades culturais, uma vez que naturalmente geram sob elas um espaço coberto, assim como ocorre no Viaduto Santa Tereza. Abaixo, identificamos uma área com potencial para localizar uma dessas passarelas, aproveitando edifícios da Avenida dos Andradas que encontram-se sem uso e também um trecho sem saída da Rua Aquiles Lobo, que atualmente funciona como um mero local para parar carros, não oferecendo nenhum atrativo aos pedestres da região.


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O corte esquemático e a axonométrica abaixo representam a ligação feita pela nova passarela proposta, que vai desde a entrada do Parque Municipal pela Avenida dos Andradas até a Rua Aquiles Lobos, vencendo tanto a barreira viária que a larga avenida representa como também o eixo do metrô. Entre a Avenida e o Eixo do metrô, no local onde atualmente encontram-se edifícios sem uso (em rosa no croquis abaixo), estaria localizado um dos acessos para a passarela e poderia ser palco de novas atividades culturais.


Croquiscorte.jpg Axo.jpg



Visando atender às necessidades de novos grupos culturais que poderiam se apropriar tanto da passarela em si como também do espaço coberto sob a mesma, algumas estruturas já poderiam ser oferecidas no local para fomentar diversos usos, tal como ilustrado na colagem abaixo. Além das ideias representadas na colagem abaixo, outras estruturas devem ser implantadas nas novas passarelas ao longo do tempo, com base no diálogo com os grupos que habitarem e frequentarem a região.


ColagemOK.jpg Colagem representando o corte longitudinal da passarela, no trecho acima da linha do metrô e do trecho da Rua Aquiles Lobos, entre as edificações sem uso.

Infraestrutura básica: 01. Iluminação pública 02. Lixeiras 03. Banheiros públicos

Possíveis apropriações: 04. Grafite 05. Ambulantes 06. Piscina 07. Ciclistas 08. Atividades sobre a passarela 09. Palco com ponto fixo de energia


Croquis222.jpg Colagem representando o corte transversal da passarela e dos edifícios adjacentes (que estão atualmente sem uso) mostrando possíveis apropriações dos espaços.

Infraestrutura

Desenvolvido por Ana Elisa De Leo e Marina Reis


É possível notar que os dois eventos principais (o Duelo de MCs e a Praia da Estação), que deram o impulso inicial para a ocupação da área ocorrem em locais muito próximos (a praça da estação, e o viaduto Santa Tereza), e como foi visto, uma das principais reivindicações dos organizadores e usuários é justamente a melhoria da iluminação, colocação de banheiros públicos, mais lixeiras, ponto fixo de energia, enfim, proporcionar uma infraestrutura básica para os eventos que já acontecem ali. Entende-se que para a manutenção dessas atividades nesses espaços, que é um dos nossos objetivos, é fundamental atender a essa reivindicação, e dessa forma demarcou-se uma "Área para melhoria de infraestrutura básica" (My maps) que compreende essas duas localidades, onde sugerimos a melhoria (ou criação) dessa infraestrutura.

Sabe-se que em situações específicas (como a virada cultural, por exemplo) é comum a colocação de banheiros químicos no Corredor Cultural (principalmente na Praça da Estação e embaixo do Viaduto Santa Tereza), mas é sugerida a instalação de banheiros públicos permanentes na região, pois além de serem melhores, do ponto de vista do conforto, atenderiam não só a megaeventos, mas outros menores que ocorrem todos os finais de semana (dando condições para que outros tantos possam surgir), além de também atender a toda a população - numerosa - que passa por ali diariamente e aos moradores de rua. Alguns exemplos de banheiros públicos são encontrados na França e na Holanda.


Banheiros Públicos.jpg Mictórios.jpg

Banheiros e mictórios públicos na França e Holanda

É interessante notar nesses exemplos que são estruturas mais permanentes que os banheiros químicos, no entanto são modulares e, portanto, facilmente alocadas, sem necessidades de maiores intervenções. Para as lixeiras sugere-se modelos maiores (como na imagem) que comportem um volume maior, e em quantidades maiores uma vez que há recorrentes e inúmeras reclamações da sujeira que fica depois de eventos como a Praia da Estação, uma vez que as lixeiras tradicionais são muito pequenas, e em número muito reduzido na região.


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Lixeira com maior capacidade

Oficializar a criação dessa área - que já existe com usos e demandas específicas - fazendo esses investimentos básicos potencializa a integração espacial da região e os usos existentes ali, estimulando mesmo o surgimento de novos movimentos de ocupação, e criando melhorias tanto para momentos excepcionais de grandes eventos, quanto para o dia a dia daqueles que transitam e habitam.


Além disso, buscou-se saber qual o contexto dos serviços de infraestrutura oferecidos na região do Corredor Cultural. A princípio, como é possível verificar nas Diretrizes do Trabalho acreditava-se que não havia o mínimo necessário para se atender a população de baixa renda, contudo, após levantamento feito das unidades de UPAs, UMEIs, Restaurantes Populares e abrigos existentes, verificou-se que na verdade o que falta na região é a própria população de baixa renda residindo nessa área.


Apesar de não haver nenhum desses serviços dentro do Corredor Cultural, ele é extremamente bem alimentado por serviços nas proximidades a distâncias caminháveis, tais como a Policlínica Centro-sul (referência para atendimento aos portadores de doenças sexualmente transmissíveis), a UPA Centro-sul (com foco nas áreas cirúrgicas e de clínica médica para adultos), a UMEI Timbiras, Restaurantes Populares I e II, Centro POP Unidade Floresta, entre outros (My maps).


Dessa forma, foi proposta, também, a criação de unidades habitacionais para que a população de baixa renda possa residir na região, com custos acessíveis e aos moldes do aluguel social e da tipologia incentivada focada no usuário de transporte público (possuindo, por exemplo, apenas um banheiro, máximo de 1 vaga por unidade e com baixo custo de condomínio) a fim de trazer a população periférica para a região central que já possui toda a infraestrutura necessária para alguns lotes que estejam vazios, ou subutilizados. Para seleção desses lotes recorreu-se ao mapeamento do Em Breve Aqui.

Buscou-se inspiração em edificações residenciais verticais e adensadas que pudessem trazer, contudo, qualidade ambiental no exterior também, criando espaços de convívio no nível da rua, a fim de reduzir a barreira do público-privado. Também se tem como objetivo fazer com que a arquitetura seja menos agressiva à paisagem, ainda que a construção seja vertical, buscando soluções mais humanas para os prédios, assim como foi feito no edifício de Interesse Social da França ““Entre Deux Rives” do escritório PHILIPPON - KALT Architects.


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Exemplo de Habitação de Interesse Social na França

Definiu-se (My maps) a “Área para habitação 1” que reúne dois lotes: Rua Januária número 50 – “propriedade da Caixa Econômica Federal está disponível há mais de 5 anos e apresenta boa acessibilidade por diferentes modais. Além disso, há uma guarita de vigilância construída, possui bom estado de conservação e alguma permeabilidade, ainda que não caracterize uma área verde”; e Rua Januária número 65 – “Grande área de estacionamento lindeira a passarela da Rua Januária, propriedade da RFF - Rede Ferroviária. Funcionava como uma escola de construção e hoje pessoas moram no edifício e exploram o espaço como estacionamento”. Esses lotes apresentam um potencial muito grande por já ter uma edificação que, de acordo com relatos já é utilizada como moradia, e poderia passar por um processo de retrofit, para melhoria da qualidade das unidades, e uma enorme área sem construção para ser edificada.


LoteHab1.jpg

Área para Habitação 1 - Estado Atual

Segundo os parâmetros urbanos para a ZHIP (Zona Hipercentral), a qual se encontra a “Área para Habitação 1”, o coeficiente de aproveitamento é igual a 3,0. Portanto, a área de 5800m² dos lotes da Rua Januária, podem ter uma área construída de, aproximadamente, 18000m². Se considerarmos como unidade habitacional uma residência de 60m², seria possível ter uma implantação de 5 torres residenciais, com 7 andares em cada e com 8 unidades habitacionais em cada andar, totalizando 280 unidades habitacionais (16800m² construídos). A volumetria dessa proposta encontra-se na montagem abaixo.


Fotomontagem1.jpg

Área para Habitação 1 - Proposta

Já a “Área para habitação 2” é um lote na Rua Tapuias, 54 que hoje funciona como estacionamento e possui apenas uma estrutura de cobertura, podendo abrigar torres residenciais aos moldes sociais.


LoteHab2.jpg

Área para Habitação 2 - Estado Atual

Assim como a Área 1, a “Área para habitação 2” encontra-se na ZHIP. O lote possui uma área de 920m² podendo, portanto, chegar à uma área construída de, aproximadamente 2800m². Também se considerou para essa área unidades habitacionais de 60m², sendo implantadas 2 torres residenciais, uma com 5 unidades e outra com 3 e cada uma delas com 5 pavimentos, totalizando, então, 40 unidades habitacionais (2400m² construídos).


Fotomontagem2.jpg

Área para Habitação 2 - Proposta

As duas áreas escolhidas são localizadas em áreas extremamente acessíveis, alimentadas por diversas linhas de ônibus e pelo metrô, que estão disponíveis a poucos metros, estão próximas dos dispositivos culturais e dos serviços mapeados, e no caso da “Área para habitação 1” a propriedade (aparentemente) é de órgãos públicos, o que facilitaria os trâmites burocráticos. Seriam habitações que potencialmente trariam melhorias para a qualidade de vida daqueles que ali habitassem pela facilidade de acesso a lazer, trabalho, educação e saúde. Compreende-se que essa seria uma excelente forma de fixar a população de rua no local e atrair a população periférica, além de mitigar os efeitos da Gentrificação.


Conclusão Geral:


Partimos de uma premissa que a região já tinha um caráter de zona cultural por princípio, que era preciso apenas potencializar esse uso com algumas intervenções, e instalação de alguns serviços específicos, especialmente para a população em situação de rua. Ao estudar os diversos movimentos sociais que surgiram ali, sua história e seu percurso, confirmamos que de fato na região "o corredor cultural já existe", e a infraestrutura básica para que esses eventos ocorram de forma mais confortável realmente é uma falta. Mas para nossa surpresa, ao contrário do que imaginávamos, a prestação de serviços está muito bem estabelecida. Em levantamento (My maps) pudemos constatar a existência de equipamentos de saúde (UPA, Policlínica), de educação (UMEI, além do Centro de Referência da Juventude) restaurantes populares, além de serviços diversos para moradores em situação de rua (pastoral, Répúblicas, Centro POP, etc), ou seja, o que falta, possivelmente, é a vontade política de investir nesses serviços para efetivamente melhorar suas possibilidades de atuação na promoção da melhoria de vida das pessoas que habitam, trabalham, e vivem esse espaço da cidade.

Referências externas

Paris combatendo a gentrificação

Berlim freiando os aluguéis

PlaceMaking vs Gentrificação “Placemaking deixa de ser placemaking quando ele não considera a opinião dos envolvidos na região.”

TCC sobre população em situação de rua “O objetivo é que as diretrizes das relações de diferentes serviços, educacionais, culturais, alimentação, de higiene e habitação temporária, estejam agrupados em um equipamento social atendendo às necessidades da população, incluindo a em situação de rua, possibilitando fluxos de alternativas e reinserção social.”

Como Miami lutou contra a gentrificação e ganhou (por enquanto)

Links de referência - Estudos da área

Zona Cultural da Praça da Estação

Cultura e Território

Dissertação - A Ocupação e a produção de espaços biopotentes em Belo Horizonte: entre rastros e emergências

Em Breve Aqui

Indisciplinar

Cartilha Nova BH

Zona Cultural: urbanismo neoliberal e as insurgências multitudinárias em Belo Horizonte

O que acontece aqui

ESTUDO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA - OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA