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De Projeto Paisagístico
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As metamorfoses do espaço habitado

Milton Santos


Segundo o autor, o homem é um ser dinâmico, e uma das formas em que se revela esse dinamismo é são as mudanças quantitativas e qualitativas do espaço em que ele habita. O autor leva em consideração a formação dos países, a distribuição humana na terra e suas evoluções após terem se definido limites. Com o aumento crescente da população, da tecnologia, das grandes metrópoles principalmente nos países menos desenvolvidos, as cidades vão se tornando cada vez mais um meio artificial. A paisagem artificial (cultural) substitui a paisagem natural. "O espaço habitado se tornou um meio geográfico completamente diverso do que fora na aurora dos tempos históricos". E tudo isso se dá em um quadro não favorável à espécie humana, irregressível àquilo que um dia foi o planeta terra antes da revolução industrial. O autor diz "com agravos à saúde física e mental (...) deixamos de entreter a natureza antiga e e criamos a natureza hostil". Ao meu ver, tudo tem um limite, o caos em que vivemos, o avanço da tecnologia não trouxe só malefícios mas sim muitos benefícios para a saúde humana, as descobertas da ciência. Claro que o modo em que vivemos não é ideal em nenhuma circunstância, mas se não tivéssemos chegado onde chegamos, e vivendo da forma que vivemos, não teríamos salvo tantas vidas. A questão é se isso um dia vai fatigar à todos e trará em breve um novo "bucolismo". A mentalidade futura quase sempre contrapõe a anterior.


CONTRA-USOS E ESPAÇO PÚBLICO: notas sobre a construção social dos lugares na Manguetown

Rogerio Proença Leite


Após comparar a reforma haussmaniana de mais de 100 anos atrás às atuais intervenções, o autor considera como hipótese inicial que elas possuem um caráter visivelmente segregador e socialmente asséptico – aspectos que poderiam concorrer para um esvaziamento do sentido público desses espaços urbanos –, os usos e contra-usos que neles se estruturam concorrem, inversamente, para sua reativação como espaços públicos. "No sentido de se constituir como um local de dialógica interação política e exteriorização dos conflitos e das discordâncias. Todo espaço urbano é antes uma propriedade pública (Gulick, 1998): nele podem ser instituídos, ou não, práticas sociais que venham a caracterizar a dimensão propriamente política dos espaços públicos". O autor comenta a partir desses conceitos de espaço público, a diferenciação em relação ao espaço urbano. Um espaço aberto e urbano não implica necessariamente um espaço de uso comum, com as características que o tornam um espaço de fato público. Mesmo um espaço sendo reativado, usado, enfim, deve-se saber de qual forma e em que medida esse uso público pode ser caracterizado como construção de espaços públicos de fato, e qual o papel desempenhado pela construção dos lugares nesse processo. A reforma de Recife teve como objeto o alargamento das vias para maior tráfego de carros, a demolição das construções coloniais, do estilo típico da cidade, os estilos holandeses, os sobrados, para grandes edifícios, encarecendo a região. Esses objetivos sinalizavam, desde o início, o quanto a proposta estava voltada ao incremento da economia local, pretendendo tornar o Bairro do Recife um complexo mix de consumo e entretenimento. De igual modo, a noção de um espaço de “espetáculo urbano”, que iria caracterizar todo o plano, é um indicador importante da presença de uma política de gentrificação, na medida em que confirma o foco predominantemente econômico das ações previstas, bem como o tipo de uso esperado para cada uma delas, a partir de redefinições da noção de valor cultural. Logo, a reforma tinha como objetivo um retorno financeiro para a região e não simplesmente um investimento na vida quotidiana das pessoas, uma melhoria para todos: a valorização dos usos econômicos do patrimônio cultural e da espetacularização do espaço urbano, não estava portanto pensando na melhor maneira de influenciar a comunicação das pessoas, o uso justo por todas as classes sociais, ou seja, fazer um espaço de fato público; mas pelo contrário, o movimento na região era uma forma de reativar os fluxos de investimentos para a economia local. "A inteligibilidade das fronteiras que separavam os pólos do Bairro do Recife ultrapassa o falso dilema que busca indagar quem surgiu primeiro, se os usos espacializados ou a programação diferenciada de eventos. Essas variáveis foram concomitantes: os usos inspiraram e demandaram eventos específicos; e estes, por sua vez, contribuíram para a manutenção das fronteiras e usos diferenciados".