Usuário:Amariacarol

De Projeto Paisagístico
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Desenhar cidades em tempos instáveis como hoje é associar, constantemente, a demanda real do espaço e das pessoas com os interesses que regem o desenvolvimento urbano. O que deveria ser, claramente, feito em benefício da vida cotidiana urbana se limita por uma lógica capitalista e consolida espaços falhos que não atendem as necessidades coletivas. Sobre a atuação do arquiteto e urbanista, é possível perceber caminhos distintos. Contrapondo o projeto comercializado e a prática artística, onde um produz algo útil e que rende ganhos enquanto o outro se expressa, se faz presente na cidade. Produzir algo na cidade complexa que vivemos é, principalmente, desenvolver a infraestrutura para satisfazer as economias de mercado. Sendo difícil materializar outras possibilidades. Difícil e, também, urgente, já que o conceito de utilidade não contempla uma vida urbana de qualidade e promove grandes desigualdades sociais. A cidade, ao mesmo tempo que cresce, também está cheia de espaços subutilizados por não se encaixarem no perfil de lucro que o meio urbano configura, por não serem rentáveis. Mas são eles a possibilidade de manifestar um outro caráter de vivência e experiência urbana, para além do sufoco que o capital promove. O desafio é procurar na arquitetura maciça e infraestrutural uma nova forma de se habitar. São restos, recortes e rejeitos espaciais potenciais para a manifestação artística e apropriação numa escala humana. É um exercício de retomada do direito à cidade, que insiste em ser construída para carros e edifícios que se fecham para o espaço público. Yona Friedman questionou a razão de arquitetos construírem excessivamente, planejarem excessivamente. Refletindo de forma utópica a concepção dos espaços urbanos para que cumpram com conceitos básicos como compromisso social e sustentável. Utilizou o termo utopia realizável: “As utopias nascem de uma insatisfação coletiva. Elas só podem nascer com a condição que exista um remédio conhecido (uma técnica ou uma mudança de conduta), suscetível de pôr fim a esta insatisfação. Uma utopia só pode ser realizável se obtiver um consentimento coletivo.” Que é muito aplicável ao contexto caótico que as cidades vivem hoje e à demanda crescente de ações que priorizem o bem coletivo, uma cidade para todos.

Yona Friedman
Yona Friedman
Yona Friedman