Usuário:Ana Beatriz

De Projeto Paisagístico
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Desenhando a cidade em tempos instáveis Saskia Sassen

O texto discute sobre a lógica preponderante na organização das cidades, cujos investimentos são norteados em função da possibilidade de lucro, exacerbando as disparidades sociais e suas inerentes discrepâncias de acesso aos bens (que deveriam ser) coletivos. A autora argumenta favoravelmente a manutenção de parte dos espaços subutilizados do tecido urbano, os terrenos vagos, como espaços férteis a possibilidades futuras e novas demandas que possam surgir, tendo em vista o intenso ritmo de transformação que vem sendo ditado. Saskia cita o projeto Kermés Urbana, em Buenos Aires, como um exemplo bem sucedido da 'produção' de espaços públicos em terrenos vagos. A partir daí inicia-se uma dissertação sobre a necessidade de intervir na cidade além das estruturas maciças e das alternativas tecnológicas da arquitetura e engenharia, experimentando possibilidades de espaços virtuais. Movimentos artísticos têm surgido nesse processo. Assim, chega-se a conclusão que os arquitetos precisam ter sensibilidade para criar novos formatos nos quais identifiquem a possibilidade de atuação, como nas áreas de intersecção de meios de transporte e comunicação - a exemplo de espaços residuais sem uma grande utilidade a priori. Ao ler esse texto, me lembrei da ideologia praticada pelo escritório Vazio S/A, que estuda vazios urbanos e projeta experimentações efêmeras neles, 'ativando-os'. As proposições começaram com a sequência Amnésias Topográficas, em que foram montados espetáculos nos 'palafitas' gerados pelas estruturas de prédios em terrenos muito inclinados. Site do escritório > http://www.vazio.com.br/


Paisagismo e ecogênese A importante contribuição de Fernando Chacel ao paisagismo brasileiro Vladimir Bartalini

O texto fala do livro que ilustra a contribuição de Fernando Chacel ao paisagismo brasileiro. Nele são apresentados sete casos nos quais boas soluções de projeto paisagístico extrapolam as respostas específicas dos ecossistemas em que foram propostos e se tornam referências para trabalhos do gênero. Nos projetos vêem-se gradações de área de preservação máxima até zonas em que são passíveis intervenções antrópicas. Neles o formalismo do design é relegado ao segundo plano, enaltecendo-se a relevância da preservação e recuperação da natureza, mesmo que aconteçam nas faixas mínimas balizadas pela legislação. Os projetos representam conquistas na formação de uma consciência ambiental, em que o capital imobiliário se interessa em preservar e mesmo recuperar valores ecológicos perdidos. Tendência apontada uma vez que os planos provêm em sua maioria da iniciativa privada, ainda que frutos de contrapartidas ambientais de grandes empreendimentos. Por fim, o autor tece críticas sobre a construção do livro, que pretende abranger um público bastante variado - desde leigos a um grupo mais especializado - e que talvez por isso seu vocabulário técnico não seja o mais inteligível para todos. Ademais ainda faz ressalvas quanto à representação, como a necessidade de escala gráfica nos desenhos e o quão uma planta geral da implantação das intervenções poderia enriquecer a compreensão de seu alcance.

O homem e a paisagem construída Eduardo Barra

Na entrevista, o arquiteto paisagista Eduardo começa explicando que antes os espaços livres aconteciam nos derredores de edifícios importantes, valorizando-os e servindo de pontos de concentração social. Com o passar do tempo eles eram estilizados conforme a estética da época. Então ele defende que para se construir paisagens de sucesso é preciso que o público as aceite e diversas são as variáveis compreendidas nesse fenômeno, em que as incertezas também são constantes. Boas metodologias compreendem processos participativos. Para Eduardo toda cidade tem ao menos um espaço livre para as famílias aproveitarem seu domingo. Um ambiente que permita o contato com a natureza e promova a descontração, onde as pessoas podem ser elas mesmas (distanciadas de premissas capitalistas, como o bombardeio das possibilidades de compra e a competição de status pelas etiquetas do que carregam). O arquiteto identifica que o modo de projetar do paisagismo contemporâneo preocupa-se com a recuperação do que foi degradado e a preservação dos resquícios naturais que resistem.