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De Projeto Paisagístico
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Paisagem Infraestrutural

O contexto atual mundial encontra-se numa saturação do ambiente construído, do planejamento urbano e, ao mesmo tempo, das áreas de produção agropecuária, segundo, Yona Friedman. Seguindo-se essa premissa, é necessário pensar numa nova forma de ocupação do espaço, uma que fuja do convencional, mas que os papeis do arquiteto, do planejador e do fazendeiro não sejam indispensáveis e sim complementares e efetivos.

Friedman defende ainda que as formas como as cidades são ocupadas devem ser repensadas, uma vez que os espaços usados e projetados são altamente densificados e verticalizados, quando poderiam, por exemplo, fazer parte da rua ou do espaço público, como feiras, exposições ou reuniões e assembleias a céu aberto. Os inúmeros prédios de escritórios poderiam ser diluídos e cada pessoa trabalharia na própria casa, liberando mais espaços para a cidade, aumentando a fluidez do trânsito de pessoas e gerando novos usos nos espaços residuais.

Numa outra ideia, as casas e edifícios de serviços públicos seriam modulados a partir de caixas-contêineres, onde cada módulo seria um ambiente e, a partir disso, os donos ou usuários definiriam a melhor forma possível de montar o edifício final, conforme suas necessidades, flexibilizando o programa arquitetônico. Isso tudo, pensando ainda que as grandes cidades estão fortemente conectadas, sejam pelo sistema de transporte ou pelas redes de comunicações, rompendo barreiras geográficas.

Além disso, é necessário pensar nos espaços vazios já existentes na cidade. Na maioria das vezes esses lugares são engolidos pelo mercado imobiliário, mas existem grande potencial para ocupações efêmeras, sem alterações permanentes no local. Saskia Sassen defende que a existência de terrenos vagos é importante para abrigar futuras mudanças, considerando a intensa modificação dos cenários das cidades, desde que atendam à uma demanda coletiva. Nesse sentido, arte e arquitetura seriam responsáveis pela diversidade de usos que esses espaços poderiam ganhar, abrindo portas para novas práticas e novos grupos.

Pensando nisso e aplicando-se à situação das Operações Urbanas de Belo Horizonte, deve-se preocupar menos em densificar e mais com a dinâmica dos espaços existentes, considerando novas abordagens para os ambientes a serem projetados e aqueles já consolidados, fazendo com que os usuários, novos ou não, sejam tão importantes nessas ocupações quanto os planejadores e arquitetos.

REFERÊNCIAS:

Sassen, Saskia. Desenhando a Cidade em tempos instáveis. s/d. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B3xAcKFNB_h7b1lSNXM2YnBKbENVbDdIaVRmckdKWG5BdFFF/view, acessado em 29/08/2016.

Architecture without a building, Yona Friedman, Copyright: Balkins Productions, Yona Friedman and Jean Baptiste Decavèle, 2011. Disponível em: https://vimeo.com/25050690, acessado em 29/08/2016.

About the city, Yona Friedman, Copyright: Balkins Productions, Yona Friedman and Jean Baptiste Decavèle, 2011. Disponível em: https://vimeo.com/23086287, acessado em 29/08/2016.

1950-2000 Life conditions, Yona Friedman, Copyright: Balkins Productions, Yona Friedman and Jean Baptiste Decavèle, 2011. Disponível em: https://vimeo.com/16608166, acessado em 29/08/2016.

Urban Space Unesco, Yona Friedman, Copyright: Balkins Productions, Yona Friedman and Jean Baptiste Decavèle, 2011. Disponível em: https://vimeo.com/22142942, acessado em 29/08/2016.

Yona Friedman – MOMA : http://www.moma.org/collection/artists/810, acessado em 29/08/2016.