Usuário:Barbara Barbi

De Projeto Paisagístico
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EAU/UFMG


TEMA: PAISAGEM SOCIAL, EECONÔMICA E CULTURAL TEXTO LIDO: "CONTRA-USOS E ESPAÇO PÚBLICO: notas sobre a construção social dos lugares na Manguetown"

O texto "Contra-usos e Espaço Público" deixa clara a relação das pessoas com o ambiente em que são inseridas. De forma que os usos inspiraram e demandaram eventos específicos; e estes, por sua vez, contribuíram para a manutenção das fronteiras e usos diferenciados. Dessa convergência entre espaço e ação, estruturam-se – como já sugeriu Antonio Arantes (2000) – manifestações públicas diversas,a partir dos significados que as pessoas atribuem a certos espaço da cidade.

É tratado no texto o exemplo a partir do caso da Rua da Moeda. Pode-se dizer que os lugares, quando erguidos pelos conflitos no interior dos processos de gentrification, podem representar formas táticas – espacializadas e simbólicas – de criar singularidades, expressar dissensões e reivindicar direitos. Direitos de pertencer à cidade, de estabelecer itinerários próprios, de fazer do espaço público contemporâneo, enfim, um legítimo espaço político da diferença. Ao contrário de significar uma espécie de “privatização” do espaço público – pelo aparente excesso de segmentação espacializada de modos de conduta pública –, a construção social dos lugares politiza o espaço urbano (qualificando-o como espaço público), na medida em que cada lugar, para se legitimar perante o outro – e a partir do qual se diferencia –, precisa igualmente ser reconhecido publicamente em sua própria singularidade.

Talvez por isso se possa dizer que a lição de Arendt continua válida e atual: o homem público, mesmo entrincheirado em seus lugares, “se dá a conhecer”. É na vida pública que as pessoas reafirmam suas diferenças e legitimam suas visões de mundo: o espaço público não se ergue na harmonia das falas, mas na comunicabilidade política do “desentendimento” (Rancière, 1996), da qual emergem diferentes inteligibilidade sobre fatos iguais, e torna factível a possibilidade democrática. Somente no âmbito da vida pública, e nunca na esfera privada, as pessoas compartilham ou disputam realidades, de onde aflora a condição humana da pluralidade, base da difícil convivência social e das relações de poder: