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De Projeto Paisagístico
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Natureza Urbana

No texto “Os tipos de problema que é a cidade” a autora Jane Jacobs demonstra uma evolução na forma e nos métodos de se pensar nos problemas relacionados às ciências biologias, físicas e sociais. A autora utiliza de relatos do Doutor Weaver demonstrando a evolução do pensamento cientifico a partir de três etapas de desenvolvimento. O primeiro, o problema de simplicidade elementar consistiu no período de trezentos anos; séculos XVII, XVIII e XIX, em que a ciência física analisava os problemas a partir de dois fatores que se relacionam. Todas as criações elaboradas até 1900 eram baseadas em soluções de tipo de problema, só após essa data um segundo método de análise de problema foi criado pelas ciências físicas: os problemas de complexidade desorganizada, onde as duas variáveis são substituídas por dois bilhões de variáveis ampliando o campo de estudo, elas são analisadas pela matemática por meio da probabilidade, dessa forma atinge um ponto analítico próximo da relação das variáveis, porém, não se aproxima de resultado individual, mas de médias e estáticas. Em 1932, segundo Dr. Weaver, as ciências biológicas demonstravam que os dois métodos eram estudos preliminares da análise dos problemas, onde se coletava, fazia descrição, classificação e observação dos efeitos. As ciências biológicas progrediram nos métodos analíticos, dando inicio ao terceiro: Os problemas de complexidade organizada, no qual os números de variáveis não era o principal, mas sim a sua inter-relação. Com esse último método surgiram possibilidades por meio da analogia de se aplicar nas ciências sociais e comportamentais. Apresentados esses três métodos de análise a autora traz a relação deles com a cidade, demonstrando que como as ciências biológicas a cidade são problemas de complexidade organizada, porém, exemplifica que o planejamento urbano em algumas situações utilizou de duas variáveis, como nas cidades jardins onde se pensava na quantidade moradia de acordo com o numero de empregos, depois se passa a pensar em várias variáveis nas cidades planejando-se por médias e estatísticas, porém, observa-se a necessidade de entender a cidade mais detalhada, comparando com a biologia um olhar microscópio, para entender os problemas não só por médias, mas em escala para entendimento de suas inter-relações. Como Weaver diz as etapas preliminares e o entendimento dos problemas de complexidade organizadas são cruciais para as cidades, pois são fontes de compreensão do espaço, sendo vital para solução dos problemas sem adotar generalizações e abstrações.

No texto "A Natureza e o Conceito de Espaço", o autor Milton Santos busca definir termos de estudo da natureza urbana, tratando a Natureza como objetos geográficos, naturais e artificiais e o Espaço como elemento de fator social, resultante da forma e do conteúdo. Segundo Santos, o espaço deve ser analisado a partir dos cincos elementos que o compõem: Homens, representando a sociedade que fornece força de trabalho; Firmas, como produtores de bens e serviços; Instituições, como organizadoras a partir de normas, leis e ordens; Meio Ecológico; como base física de trabalho; e Infraestruturas; representando o materializado dessas ações, como as residências, caminhos, agriculturas e etc. A análise do espaço urbano, é importante para conhecer e estudar o processo produtivo em que o local está inserido, isto é, entender as circulações, distribuições e os consumos existentes nas regiões de modo atender as demandas.

No texto "La vision organicista de la ciudad", de Carlos Vázquez, o autor apresenta três maneiras de analisar o espaço urbano: A cidade como natureza, onde nesse primeiro tópico trás a natureza como algo divino, inspirador para os modelos de arquitetura e para a cidade, porém, com compreende que com o passar do tempo essa relação se torna desarmônica e caótica; A cidade dos Corpos; nesse segundo tópico o autor analisa o espaço a partir da relação dos corpos, pessoas, animais ou vegetais que interajam com a natureza; Cidade Vivida, nesse ultimo tópico é analisado a relação do ser pensante que da interage com a cidade, de forma de contribuir com as percepções, memórias, sensações e identidade.

A partir da leitura desses três textos compreende que para se elaborar qualquer proposta de intervenção no espaço urbano, é necessário conhecer e entendê-lo, também acreditando que não haverá uma solução única. Os autores trazem em suas literaturas a necessidade do estudo da natureza urbana como algo além de um estudo das áreas verdes na cidade, mas sim a relação da interação desse meio biológico com as problemáticas das cidades. Dessa forma, demonstra a necessidade de análise de diversos fatos, períodos de tempos e de diversos elementos sociais, econômicos e construtivos para uma intervenção de caráter urbana.


Referências

JACOBS, Jane. Morte e Vida de Grandes Cidades. O tipo de Problema que é a Cidade. Pág.477-499. Martins Fontes, São Paulo, 2003

SANTOS, Milton. A natureza e o conceito de espaço. Milton Santos. Pág.11-33. São Paulo, 1985.

VÁZQUEZ, Carlos Garcia. La Vision Organicista de La Ciudad. Pág 120-169.