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De Projeto Paisagístico
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Informações Gerais

Conforme a proposta da disciplina, foram feitas uma análise e extensão das propostas de ação da OUC para a região Cachoeira do Arrudas. A partir das perspectivas colocadas para essa região, de um adensamento limitado ao eixo de transporte público e de proposições de manutenção e proteção de áreas vegetadas já degradadas (o que limita as possibilidades de adensamento da ocupação em várias partes da área escolhida), decidiu-se focar na recuperação da vegetação degradada nos arredores dos bairros e na ampliação de uso dessa área para a população como lazer e fonte de renda/alimentação. Esse enfoque foi definido após a leitura de alguns textos base fornecidos pelo professor:


  • Paisagem

Textos Fornecidos

  • Paisagem Social, Econômica e Cultural

Textos Fornecidos

  • Natureza Urbana

Textos Fornecidos

  • Agricultura Urbana

Textos Fornecidos

  • Paisagem Infraestrutural

Textos Fornecidos


O plano urbanístico proposto pela Operação Urbana Consorciada estrtura-se a partir do aspecto ambiental e propõe, principalmente, a implantação de áreas verdes para preservação, recreação e lazer da população local. Além disso, como a região se configura como periferia - longe do centro e com difícil acesso ao transporte público e aos corredores viários, as intervenções no âmbito da mobilidade se fazem extremamente necessárias, para articular melhor o lugar ao restante da cidade. O programa da OUC ressalta, ainda, a necessidade de remoção das famílias em situação de alto risco, já que o diagnóstico do programa caracteriza a região com um Índice de Vulnerabilidade Social alto, decorrente não somente da desvantagem socioeconômica mas também das condições de moradia. No geral, o prognóstico da OUC é de melhoria da qualidade de vida das famílias residentes na região, e a proposta do grupo vem como apoio e extensão ao que foi proposto na OUC, para atingir esse mesmo objetivo.

Para atingir tais resultados, o grupo visa fazer propostas para diversas áreas - recuperação da paisagem, criação de hortas urbanas, remoção e realocação das famílias em situação de risco, criação de ciclovias e melhoria na acessibilidade e transporte público, criação de programas sociais - garantindo uma melhoria na qualidade de vida da população na região, visando tanto o lazer quanto uma melhoria econômica. É necessário intervir em todas essas áreas para garantir um resultado positivo, especialmente tendo em vista que todas as áreas de alguma forma se interconectam. Por exemplo, a população que será realocada, terá previsão de ocupar as margens das avenidas da região - visto que seguindo a OUC será incentivada a construção de prédios nesses locais - melhorando automaticamente a sua acessibilidade a transportes públicos. Já os programas sociais serão necessários para garantir o bom funcionamento das hortas comunitárias, visto que ali haverá espaço para workshops, aulas e seminários, garantindo que a população possua os conhecimentos necessários para o plantio saudável, e noções de empreendedorismo para a futura comercialização do surplus.

No entendimento do grupo, ao criar uma região que tem suas áreas públicas valorizadas, a população dali passa a ter uma qualidade de vida superior. E buscamos atingir isso recuperando a paisagem dali; tanto no âmbito ecológico, como no âmbito de uso. Na questão ecológica, entram a recuperação das matas da região e das matas auxiliares perto das nascentes, e também a despoluição do Ribeirão Arrudas, criando em ambos casos ambientes que poderão ser usados pela população local, em formato de parques e praças. São propostos também jardins de chuva para as vias com declividade mais elevada, garantindo uma mudança na paisagem das vias e também um controle da água superficial, facilitando a infiltração. Na questão de uso, busca-se incentivar o comércio local nas avenidas principais da região, juntamente com o aumento na densidade habitacional nessa área, criando prédios em novos modelos de ocupação, que dão enfoque às fachadas ativas, poucas garagens (incentivo ao transporte público), e áreas verdes públicas; criando ambientes mais favoráveis para pedestres usufruírem do bairro.


Mapa da Área de Intervenção

Transporte

Mapa Transporte

Transporte Público

Através de análise, pudemos concluir que a área é bem atendida por linhas de ônibus com destino as regiões do Centro de Belo Horizonte, à região hospitalar e à região da Pampulha, de acordo com o mapa. Queremos ampliar o sistema viário da área para que exista também uma ligação com Nova Lima e Sabará. Dessa forma criaremos importantes eixos de transporte para a população local, melhorando seu deslocamento, aumentando seus possíveis locais de trabalho e possibilitando o acesso a outros equipamentos. Além de extender vias para transportes particulares e públicos automobilísticos, será adotada a proposta do PlanMOB de utilizar os trilhos que conectam dali a Nova Lima, atualmente em desuso, como uma nova linha de metrô em Belo Horizonte.

Ciclovia

De acordo com a proposta da BHTrans, podemos ver que a inserção de ciclovias na região leste da cidade, em especial da Cachoeira do Arrudas, é bastante tímida. Visto que será proposta uma extensão das vias de acesso conectando a região até Nova Lima, ali também inseriremos uma ciclovia, associada com o metrô proposto. Além disso, também propomos uma ciclovia que abasteça bem a área de intervenção e seus moradores para que os mesmos se desloquem com facilidade na comunidade e nos parques. A implantação de uma ciclovia local dá continuidade a proposta principal do grupo que é a de melhorar a qualidade de vida da população local. Isso também facilitaria o cultivo das hortas que estão sendo propostas pelo grupo uma vez que pequenas mudas, sacos de adubo e ferramentas poderiam facilmente ser transportados em uma bicicleta.

Ocupação Urbana

Risco de Erosão
Nascentes
Tipologias Existentes Atuais
Zoneamento Atual
Proposta de Ocupação da OUC

Dentre as propostas para a OUC para a área, destaca-se o número de realocações a ocorrer nessa região. Como estamos aumentando a área de atuação, o número de famílias que deverão ser realocadas aumentará. Esse número corresponde às famílias que vivem em regiões de zona de risco ou que moram nas margens do Arrudas. Por causa do tipo de ocupação existente na área, predominantemente de casas, já existe, mesmo dentro da OUC, a proposta de manter essas famílias vivendo na mesma região. Com a previsão de construção de prédios baixos ao longo das principais avenidas da região, vê-se a viabilidade de tal proposta.

A remoção das famílias dessas áreas será positivo a longo prazo para eles, sendo que eles serão postos em regiões mais estratégicas com relação ao transporte público e estarão seguros, além de permitir a recuperação da vegetação e das nascentes nas áreas antigas.

Ainda seguindo a proposta da OUC, também pretende-se instalar os prédios propostos associados ao uso misto, para garantir uma diversidade de uso e qualidade de vida da região.

Pode-se constatar através dos mapas de risco de erosão e de nascentes, que a topografia acentuada combinada com a presença das nascentes e córregos na região, tornam a área especialmente perigosa para construções irregulares, e por tal motivo será necessário realocar tantas pessoas.

Quando se fala em desapropriação e realocação de famílias, uma das principais questões levantadas é o aspecto social: qual é, a curto e longo prazo, o efeito que a realocação causa ã vida dessas famílias? Na maioria das vezes, as objeções ao processo de desapropriação, principalmente quando este é subsidiado por estudos que mostram que as famílias estão vivendo em situações de risco, é a falta de preocupação com a inserção da família no ambiente social. Deve-se lembrar que essas pessoas, ainda que em situação de risco, construíram sua vida ali e têm vínculos com o seu meio - seja ele o ambiente físico, da localização, seja em relação à vizinhança. Desta forma, acredita-se que, ao propor um mecanismo como a remoção e realocação de pessoas, é necessário considerar o âmbito social tanto quanto a melhoria na condição física da moradia. Isto quer dizer que, quando possível, deve-se tentar manter a noção de vizinhança daqueles indivíduos. Assim, ao se executar a realocação de pessoas que vivem próximas e que contam umas com as outras em seu cotidiano, recomenda-se que seus laços de vizinhança não sejam cortados. Em um ambiente onde existe a possibilidade de manter vizinhos morando próximos uns aos outros, acredita-se que a adaptação é mais fácil e que a mudança é vista em uma perspectiva mais favorável.

Estabelece-se, então, uma tentativa de se assegurar que a convivência entre vizinhos seja mantida. Isto pode ser feito, neste caso, a partir do tipo de ocupação proposto: é possível, no caso das ocupações verticais, assinalar que famílias vindas de uma certa quadra ou região possam se manter próximas. Isso contribui para o sucesso do processo de realocação - que as famílias sejam capazes de reestabelecer suas vidas e suas rotinas diárias em um novo ambiente, que se mostrará mais seguro (sob a perspectiva física, do ambiente espacial).

O plano de ocupação da Operação Urbana Consorciada consiste em, essencialmente, promover o melhor aproveitamento da infraestrutura local, de forma que o adensamento é proposto para que se complemente ao sistema de transporte público, de forma que os moradores possam usufruir de uma infraestrutura já disponível no local. Além disso, o plano inclui o incentivo à formação de novas centralidades, de forma a estimular a concentração de atividades na região. Espera-se, assim, promover o crescimento e desenvolvimento local.

Para assegurar a proteção dos aspectos de identidades culturais locais e manutenção da população residente, há mecanismos prontos a serem aplicados, como o aluguel social ou os incentivos à construção de apartamentos menores. Os modelos de ocupação variam entre quadras de alto adensamento, onde os parâmetros urbanísticos são mais permissivos, quadras onde se prioriza o deslocamento de pedestres, e quadras em que se valoriza a maior taxa de permeabilidade, criando espaços livres públicos integrados com os logradouros, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental do local.

Ribeirão Arrudas

Com base em nossas análises e estudo de campo na região dos bairros Taquaril e Granja de Freitas, pudemos constatar a grande presença de ocupações irregulares e em zonas de risco. Ao ouvir a população residente no local percebe-se uma relação nostálgica referente à um passado harmonioso com a água. No entanto, essa relação já não se faz mais presente por conta da extrema poluição das nascentes e córregos encontrados na região, que acabam por causar um crescente sentimento de aversão às águas que os circundam.

A recuperação da paisagem e travessias são propostas da Ocupação Urbana Consorciada que, conjuntamente com a nossa proposta de criação de parques e hortas comunitárias, trariam um grande avanço para a região, uma vez que a população encontra-se descontente com a permanente insegurança gerada por enchentes constantes e deseja ser realocada para locais mais seguros e de possível contato mais direto com a água em suas vidas para que uma relação mais proveitosa seja selada com a mesma.

Tratamento de Esgoto

Fossa Séptica

Fossa Séptica é um sistema constituído por três tambores de 200 L (bombonas) ligados um em seguida do outro, e é utilizado para tratar parcialmente somente a água do vaso sanitário.

Bombonas enterradas no solo

O esgoto passa pelas bombonas onde é decantado e parcialmente tratado. Como o esgoto é parcialmente tratado não pode ser despejado direto no solo ou na água sendo necessário um sistema de pós-tratamento. Enterrar as bombonas no chão deixando sobrar 5cm acima do nível do solo; Conectar os canos; Conectar o cano de saída do efluente na primeira bombona;

1 – Material utilizado para fabricação 03 tambores de plástico de 200 litros (com tampa preta de rosca); 03 metros de tubo de PVC de 100mm; 01 joelho de PVC de 100mm; 03 tês de PVC de 100mm; 01 Tubo de silicone de 280ml; 01 flange de PVC de 40mm; 03 metros de tubo de PVC de 40mm; 02 joelho de PVC de 40mm. 0,5m3 (meio metro cúbico) de brita nº 03.

2 – Cavando o buraco para instalação O buraco deverá ser cavado no solo e deverá ter as seguintes dimensões: 1,40 metros de profundidade 2,50 metros de comprimento 80 centímetros de largura.

3 – Instalando a fossa no buraco Os tambores devem ser colocados em sequência e com um pequeno desnível para que os dejetos possam fluir por gravidade. Deverão ficar completamente enterrados deixando sobrar 5cm acima do nível do solo. A fossa deverá ser instalada a pelo menos 4 metros de distância do banheiro, para se evita curvas na canalização e deverá ficar num nível mais baixo do terreno para fluir por gravidade. Ela deverá ser instalada a 50 metros de distância de minas, cisternas qualquer curso d’água, para evitar possíveis contaminações, no caso de eventual vazamento.

4 - Suspiro para saída dos gases Na tampa do primeiro tambor deverá ser colocada a flange, o tubo e os joelhos de 40mm que servirá de suspiro para a saída dos gases seja liberado no ar.

O que é? É um tanque impermeável que trata a água do vaso sanitário e conta com o auxilio de plantas e do solo no tratamento. Como funciona? O esgoto chega ao tanque através de um tubo inserido verticalmente, que vai até a câmara de pneus ou alvenaria. O esgoto vai subindo pelas camadas de pedras, brita e areia até chegar à terra, onde evapora ou é absorvido pelas raízes das plantas. A única manutenção necessária é fazer o manejo das plantas.

Como construir? Fazer um buraco de acordo com as dimensões abaixo:

Esquema para construção de um suspiro para saída de gases

Para residências com um número maior de 5 moradores recomenda-se aumentar as dimensões: largura em 1 metro e comprimento em 1 metro por morador, mantendo a profundidade padrão de 1,5 m.

5 - Impermeabilização da vala, isso pode ser feito de duas formas:

Alvenaria: Concretar o fundo utilizando impermeabilizante na massa; Levantar as paredes de alvenaria e rebocar utilizando impermeabilizante na massa;

Tela cimento: Chapiscar as paredes; Pregar a tela nas paredes com grampos de vergalhão, tomando cuidado para sobrar um pedaço da tela sobre o fundo; Concretar o fundo; Rebocar as paredes;

Tela de cimento

Fazer o túnel de pneus ou alvenaria;

Túnel de pneus ou alvenaria

Conectar a tubulação chegando dentro do túnel sem encostar no fundo; Preencher a vala com as camadas de 60cm de pedra, 30cm de brita, 30cm de areia e por último 30cm de terra; Plantar as mudas;

Como funciona? O esgoto entra na fossa e tudo o que é sólido vai para o fundo formando o lodo. A parte líquida (efluente líquido) sai do tanque precisa passar por um sistema de pós-tratamento para poder parar de causar doenças e odores. A escuma (gás) deve ser removida junto com o lodo, uma vez ao ano.

Como construir? Escavar um buraco onde a fossa será enterrada. No fundo do buraco o solo deve ser compactado, nivelado e coberto com uma camada de concreto magra de 5cm seguida por uma laje de concreto armado de 6cm. Concretar o fundo usando impermeabilizante na massa. As paredes são feitas de tijolos maciço, cerâmico, bloco de concreto, placa pré-moldada de concreto ou manilha de concreto. Durante a construção da parede já deve ser deixados os espaços para os tubos de entrada e saída da fossa (100mm) e ranhuras para a separação das câmaras no caso da fossa retangular.

Exemplo fossa séptica
Funcionamento fossa evapotranspiradora

As paredes internas devem ser revestidas com argamassa a base de cimento. As fossas circulares são mais estáveis. As fossas retangulares precisam de placas (chicanas) para separar em câmaras (2/5 de placa da altura da fossa para a entrada e 3/5 de placa para a saída). A tampa deve ser feita em concreto e com uma abertura de acesso de diâmetro mínimo de 60cm. Deve ser localizado a, no mínimo, 15 metros de poços freáticos e corpos d’água. Quando usa o caminhão limpa-fossa, deve ser instalada uma tubulação vertical com diâmetro mínimo de 15 cm para introdução do mangote de sucção. O tubo deve estar a 20 cm do fundo e 10 cm da tampa de inspeção. Caso não use o tubo de limpeza, pode usar uma caixa de inspeção na tubulação antes de chegar à fossa.

Fossa séptica biodigestora

O que é? Sistema de três reservatórios de 1000L em série para tratar apenas o esgoto do vaso sanitário

Fossa evapotranspiradora

Como funciona? O esgoto sai do vaso sanitário e cai na primeira caixa. Conforme vai enchendo o líquido vai passando para a segunda caixa E ao chegar à terceira caixa, que funcionará como um reservatório, o líquido já pode ser usado para a fertilização e irrigação (fertirrigação). Nas duas primeiras caixas precisam ser colocadas válvulas de retenção e escape (primeira e segunda caixa respectivamente) para saída do gás 1 vez por mês, adiciona-se 20 litros de uma mistura de ½ de água e ½ esterco de vaca à válvula de retenção na primeira caixa.

Como construir? Enterrar os reservatórios no chão com um desnível de 5 cm de um para o outro e uma sobra de 5cm da borda da caixa ao solo. As caixas devem ter, no mínimo, 50 cm de distância umas das outras e com Ts de inspeção caso haja entupimento. Conecte as tubulações de 100mm e as válvulas de retenção e escape conforme o esquema abaixo A tampa dos dois primeiros reservatórios deve ser pintada de preto e vedadas com cola de silicone ou borracha nas bordas.


Recuperação do Ribeirão Arrudas:

Um exemplo bem sucedido de recuperação de um ciclo d`água, é o do córrego Cheong Gye Cheon, localizado em Seul, Coréia do Sul. Sua revitalização teve ainda um desafio maior. Além de despoluir a água e criar espaços de lazer e convivência para as pessoas, esse projeto derrubou uma via expressa elevada, diminuiu o tráfego e a quantidade de veículos. Durante a execução do projeto, em torno de 75% do material da demolição da via foi reutilizado para a construção do parque e reabilitação do córrego. Hoje várias espécies de animais voltaram a povoar o local e a área próxima ao córrego é aproximadamente 3,5 C mais fresca que outras partes da cidade. Esse caso inspira e mostra que realmente despoluir o Ribeirão Arrudas é viável e traria uma melhoria imensurável para a vida das pessoas que habitam próximas à ele.

Antes e depois do córrego coreano

Ao criar espaços de lazer para a população local próximos ao córrego, ao educar e conscientizar essa população sobre o meio ambiente e sua importância para nós e ao fazer com que ela tenha participação direta no processo de melhoria da região, com certeza, o córrego se manterá despoluído e bem cuidado.

Obviamente, um estudo específico teria de ser feito para que a recuperação do córrego fosse feita da melhor e mais eficiente maneira. Mas, podemos citar algumas alternativas já utilizadas em outros casos como por exemplo:

-Instalação de estações de tratamento dentro do próprio ribeirão;

-Biorremediação: Utilização de organismos vivos como plantas e microorganismos para remover ou reduzir os poluentes. É uma opção bastante viável. Nesse sistema, as plantas utilizadas são terrestre pois absorvem tudo o que for contaminante na água. Elas são mantidas em uma plantação na água, fora do solo. Suas raízes recebem uma solução que contém todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Quando a água do córrego passar por esse sistema, os contaminantes serão absorvidos pelas raízes das plantas;

-Tratamento do esgoto antes de ser jogado no córrego.

Vegetação e Agricultura Urbana

Mapa das áreas verdes a serem recuperadas e parques criados

Parques: Recuperação da paisagem

A área da Cachoeira do Arrudas chama muita atenção devido à sua localização na borda da cidade, perto de amplas áreas verdes com topografia mais acidentada. A serra, como barreira natural, impediu uma ocupação mais formal daquela região, mas abriu oportunidade para bairros como o Taquaril e a Granja das Freitas surgir com sua ocupação em grande parte irregular e em zonas de risco. Isso corresponde a um problema não só de segurança da população da área, mas também resultou em um desmatamento desordenado e poluição das nascentes da região, além de outros danos ecológicos. Dessa forma, a população tem o meio ambiente ali não como algo positivo, mas como um estorvo.

Com o objetivo de recuperar a região degradada, e ainda trazer fontes de lazer e possível renda para a população local, propusemos a criação de parques e hortas comunitárias na região. A Operação Urbana Consorciada traz a proposta de um grande parque linear, que se estende pelo fim da Avenida dos Andradas (quando se torna a Rua Marzagânia), na APP do Arrudas. São propostos também parques na região do Granja de Freitas, a serem definidos juntamente com a comunidade. A partir dessa definição, fica claro que a presença da comunidade como propositora dos espaços públicos de lazer é encorajada; isso quer dizer que se torna uma perspectiva possível o engajamento da comunidade em um projeto como esse, de hortas comunitárias, para que a OUC seja um instrumento de sua realização. A criação de hortas dentro dos parques deve estar associada a programas de educação ecológica, para garantir que a população se envolva com o projeto.

A região do Taquaril é aquela que conta com a maior ocupação em zona de risco, e portanto várias áreas ali precisarão ser recuperadas após a remoção da população. Tanto para a recuperação da vegetação da serra, quanto para os parques serão usados os princípios de permacultura. A permacultura é um conceito inventado por dois Australianos no século passado, que estudavam a forma harmoniosa e cíclica como a natureza se comportava. Portanto, ao construir um jardim ou um parque seguindo esses conceitos, são copiadas as relações e situações que ocorrem na natureza, de forma a criar um ambiente sustentável - ou seja com uma grande diversidade de plantas e animais que contribuem para a sobrevivência uns dos outros.

Hortas Urbanas

Habitação legenda...
Habitação legenda...
exemplos de plantio

Além disso, o objetivo de criar hortas urbanas nessa região não é (só) para o lazer da população. Como ali consiste em uma população de renda mais baixa, é ilusório acreditar que teriam tempo para se dedicar à horticultura todo dia, com excessão de talvez aposentados ou alguns outros. Porém, é possível que as hortas virassem o trabalho de alguns deles no futuro, especialmente tendo em vista a necessidade de alimentar a cidade com alimentos frescos vindos de mais perto (menos custo de transporte) e garantindo a sua resiliência. Dentro dos parques e hortas comunitárias poderiam ser criados os pontos de venda para os produtos produzidos ali e em toda a região, influenciando o comércio de toda a área. É sabido que hoje o mercado de produtos orgânicos é deficiente, e que a demanda vem crescendo. Uma região onde se implanta um grande projeto de mobilidade, que se torna articulada com o restante da cidade, e que tem os recursos para conquistar esse nicho de mercado pode ser palco de projetos muito interessantes que venham a promover o desenvolvimento econômico dos moradores, enquanto cria ou perpetua uma relação muito importante do morador com o espaço urbano em que vive. Queremos, com o tempo, inverter a lógica de que o cidadão que mora na periferia não "mora" efetivamente - já que trabalha em outra região da cidade e passa pouco tempo em seu bairro. Esperamos que através da criação de um espaço não somente agradável, mas que apresenta uma possibilidade de crescimento e desenvolvimento econômico, os moradores tenham uma relação mais positiva e proveitosa com o espaço em que vivem. Acreditamos que todos os membros de uma cidade merecem participar ativamente da vida urbana, morando no centro ou não. Assim, as iniciativas de espaços verdes, agradáveis, e que abrigam políticas inovadoras devem ser levados para a periferia.

A implantação de um projeto de hortas comunitárias na região deve ser vista sob uma perspectiva econômica e social. Outras experiências, inclusive no Brasil, têm trazido resultados muito interessantes para as comunidades. A hortas comunitárias criadas sob linhas de transmissão de energia elétrica no bairro Tatuquara, em Curitiba, tinha como intenção o incremento da renda de famílias de baixa renda, mas os usuários notaram, por exemplo, uma redução no vandalismo praticado nas áreas previamente ociosas sob as linhas de transmissão e uma melhoria significativa na sua alimentação. O bairro Tatuquara tinha índices elevados de desvantagem socioeconômica, indicando situação de pobreza, e tinha problemas de violência, marginalidade, vandalismo e acúmulo de lixo. A implantação das hortas resultou de uma parceria entre a empresa responsável pelas linhas de transmissão e a prefeitura de Curitiba. As famílias que trabalham e se beneficiam das hortas relataram melhorias que envolvem sua alimentação, a renda familiar, o bem estar, a saúde, as condições ambientais, higiene, limpeza e melhoria da paisagem do bairro, além da segurança na região.

Outro caso, da implantação de um Programa de Hortas Comunitárias em vilas e favelas de Teresina, no Piauí, apresentou resultados insatisfatórios quando se pensa na melhoria das condições socioeconômicas das famílias. Em uma análise desse programa, é possível estudar aspectos que infuenciaram na "falha" do programa sob o viés econômico, a partir dos quais se pode entender o que também é necessário para seu sucesso, ainda que em um local diferente. Estes produtores, em sua maioria, não participam de associações ou cooperativas, e se caracterizam portanto como desorganizados. Há também pouca diversificação dos cultivos (diferentemente da experiência em Curitiba), de hortaliças simples e baratas mas que geram menor rendimento. Além disso, uma dificuldade na organização para a comercialização impede que os produtores alcancem um maior retorno financeiro.

A partir disso, pode-se perceber que, para a implantação desse programa, é necessária uma grande articulação da própria prefeitura com os moradores. Deve-se criar um ambiente em que as famílias possam aprender não só o cultivo dos vegetais, mas as maneiras com que podem tornar esse cultivo lucrativo, gerador de renda. É essencial que os produtores tenham um caminho livre para seu crescimento, e que tenham possibilidade de comercialização para atender outras áreas da cidade - ou seja, o cultivo no bairro deve ser articulado com o restante de BH. Com um planejamento correto e o engajamento das famílias, acreditamos que as hortas podem ser o caminho para a melhoria da qualidade de vida dessa população. Desta forma, acreditamos que a escolha dos locais definitivos para a implantação dessas hortas deve ser feita em parceria com as comunidades, de forma que se abra um espaço para as pessoas se sentirem parte desse processo, e não de forma impositiva. Sabemos que é infinitamente mais fácil criar uma relação de pertencimento a um lugar que se ajudou a construir.

O ambiente que antes era degradado ou inutilizado pode dar espaço para milhares de canteiros de horta. Para manter a horta, é necessário mão de obra composta por alguns moradores da região, já que não é necessário experiência no ramo. A ideia seria que esses trabalhadores recebessem uma "bolsa horta" por mês. O objetivo é que os moradores possam retirar grande parte dos alimentos que consomem direto da horta.

Tipos de Vegetação

Exemplo de Avenida Arborizada em BH
Exemplo de Avenida Arborizada em BH

Para os parques, o objetivo é recuperar a vegetação local, e para tanto, será necessário fazer um estudo das plantas que são mais comuns para aquela região. De acordo com o Manual de Arborização da CEMIG, existem alguns pontos a serem considerados quando plantamos árvores nas vias e em regiões urbanas: Garantir a diversidade de espécies: densidades que não ultrapassem 30% de uma única família de árvores, 20% de um único gênero e 10% de uma única espécie; garantir a diversidade genética: quanto mais diversa for a origem geográfica dos espécimes plantados, maiores serão as chances de se conseguir essa diversidade, contribuindo para possíveis tolerâncias a adversidades ambientais e ataques de pragas ou doenças; possuir diversidade de idade nas árvores, garantindo um ciclo mais natural de renovação dos espécimes; possuir diversidade de formas e hábitos de crescimento nas espécies: tendo em vista a importância e necessidade de se combinar as espécies aos locais onde serão plantadas; possuir copas expressivas, que proporcionarão conforto ambiental às áreas; diversificar as espécies, considerando diferentes épocas de floração e frutificação, o que favorecerá a paisagem e a presença da fauna; produzir aromas agradáveis (folhas, madeiras, flores); procurar sempre por nativas regionais da flora brasileira, adequadas à arborização urbana, sobretudo aquelas reconhecidamente úteis à fauna (pássaros, insetos, etc); serem resistentes ao ataque de pragas e doenças, tendo em vista a inadequação do uso de agrotóxicos no meio urbano. Os tipos mais comuns de árvores usados em Belo Horizonte para vias são, de acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte:

Alfeneiro - Ligustrum japonicum Thunb. - Oleaceae

Árvore de origem asiática. Características botânicas: a árvore pode atingir 10 m de altura e 70 cm de diâmetro do tronco; folhas brilhantes na face superior, de cor verde bem escura; as flores são brancas, de odor forte, dispostas nas pontas dos ramos; os frutos parecem pequenas uvas de cor azulada escura; copa arredondada, densa, com folhagem perene. Floração: primavera e verão. Frutificação: inverno. Uso na arborização urbana: pode ser utilizada em passeios, praças e parques.

Bauhínia - Bauhinia variegata L. - Fabaceae

Árvore originária da Índia e China. Características botânicas: árvore com até 15 m de altura; folhas compostas de dois folíolos, verdes; as cores das flores variam de branca (variedade “cândida”) a avermelhada; copa com ramificação aberta, arredondada, vigorosa, com folhagem perene a semi-caduca. Floração: principalmente no inverno. Frutificação: inverno e primavera. Uso na arborização: embora seja muito frequente nas rua de Belo Horizonte não é muito plantada atualmente pois é de difícil condução, necessitando de podas contínuas para não conflitar com o trânsito de pedestres e veículos.

Escumilha-africana - Lagerstroemia speciosa Pers. - Lythraceae

Árvore originária da Índia, Malásia e China. Características botânicas: pode atingir até 15 m de altura; folhas verdes, pouco mais clara na face inferior, que tomam a coloração avermelhada pouco antes de se desprender da árvore no inverno; as flores recobrem boa parte da copa, proporcionando grande visibilidade, com variação de cor partindo do róseo quase branco a próximo do lilás e uma variedade azulada; frutos persistentes na copa por um longo período; copa arredondada, densa, formada por galhos longos e ascendentes, com folhagem semi-caduca; sistema radicular profundo proporcionando poucos danos a pisos pavimentados. Floração: primavera e verão. Frutificação: inverno e primavera. Uso na arborização: muito plantada em passeios em Belo Horizonte, mas é preciso considerar seu grande porte.

Espatódea - Spathodea campanulata P. Beauv. - Bignoniaceae

Árvore originária da África. Características botânicas: atinge os 20 m de altura; flores alaranjadas, menos comum amarelas, franjadas, grandes (10 a 12 cm de comprimento); fruto tipo cápsula, quando aberto as partes adquirem a forma de uma pequena barca, sendo utilizado com frequência em arranjos florais; copa densa, arredondada, com folhagem semi-caduca; sistema radicular superficial e agressivo nas árvores que adquirem maior porte. Floração: principalmente no verão e no outono, mas comum ao longo de todo o ano. Frutificação: fim do outono e inverno. Uso na arborização: só deve ser plantada em locais com grande espaço disponível e longe de edificações, dada a agressividade das raízes em árvores mais velhas e fragilidade dos galhos que podem se quebrar com ventos mais fortes. As flores são escorregadias, proporcionando perigo de queda a transeuntes.

Ipê-rosado - Handroanthus pentaphyllus (L.) Mattos - Bignoniaceae

Árvore originária da América Central. Características botânicas: pode atingir os 35 m de altura e tronco com diâmetro de 150 cm, a copa frequentemente alcança 30 m de diâmetro; flores rosadas em diferentes tons, com centro amarelado, que se apresentam frequentemente junto com a presença das folhas, o que distingue esta espécie dos demais ipês encontrados em Belo Horizonte, mas eventualmente a florada se dá na copa sem folhas; copa densa, com folhagem semi-caduca a caduca. Floração: final do inverno e início da primavera. Frutificação: primavera. Uso na arborização: deve ser plantada preferencialmente em grandes praças e parques dado o seu grande porte.

Magnólia - Michelia champaca L. - Magnoliaceae

Árvore originária da Índia. Características botânicas: pode atingir os 15 m de altura; folhas brilhantes, verde-claras; flores amarelas, solitárias, localizadas nas extremidades dos ramos mas pouco evidentes, extremamente aromáticas; sementes vermelhas, vistosas, bastante procuradas por diversas espécies de aves; copa oval, com folhagem densa, semi-caduca; sistema radicular profundo. Floração: verão. Frutificação: outono. Uso na arborização: largamente utilizada em passeios onde não deve ficar sob rede de distribuição de energia elétrica, já que a poda deforma sua copa. Também pode ser plantada em praças e parques.

Munguba - Pachira aquatica Aubl. - Bombacaceae

Árvore originária de toda a região amazônica. Características botânicas: altura de até 15 m folhas verde-escuras; flores solitárias, com até 30 cm de comprimento, aromáticas, branco-amareladas ou branco-róseas; copa arredondada, densa, com folhagem perene. Floração: verão e outono. Frutificação: outono e inverno. Uso na arborização: a árvore é recomendada para estacionamentos por produzir ótima sombra, seu único inconveniente são os frutos enormes que podem causar eventuais acidentes quando caem inteiros, o que, porém, raramente acontece.

Quaresmeira - Tibouchina granulosa Cogn. - Melastomaceae

Árvore originária da BA, RJ, SP e MG. Características botânicas: atinge a altura de 12 m; folhas coriáceas, pilosas em ambas as faces; flores arroxeadas ou rosadas, bastante evidentes, recobrindo toda a copa; copa arredondada, pouco densa, com folhagem semi-caduca. Floração: floresce duas vezes ao ano no outono e primavera. Frutificação: inverno e verão. Uso na arborização: bastante ornamental por possuir uma floração exuberante. Indicada para arborização de passeios e praças.

Sibipiruna - Caesalpinia peltophoroides Benth. - Fabaceae

Árvore originária da região sudeste do país, com registro de ocorrência no pantanal mato-grossense. Características botânicas: árvore de até 20 m de altura; flores amarelas, abundantes, reunidas em cachos cônicos, voltados para cima, botões florais escuros, quase negros; copa densa, semi-caduca. Floração: inverno e primavera. Frutificação: inverno. Uso na arborização: muito utilizada na arborização de ruas e estacionamentos em praticamente todo o país por possuir uma floração exuberante e fornecer boa sombra. Pode ser usada também de forma isolada em parques e grandes jardins.

Tipuana - Tipuana tipu (Benth.) Kuntze - Fabaceae

Árvore originária da Bolívia e Argentina. Características botânicas: árvore com até 30 m de altura e 80 cm de diâmetro do tronco; flores amarelas; copa ampla, arredondada, pouco densa, pendente, folhagem semi-caduca. Floração: primavera. Frutificação: outono. Usos na arborização: muito utilizada na arborização urbana de Belo Horizonte tanto em passeios como em parques e praças. Os plantios em passeio devem observar o porte avantajado que a árvore atinge.

Referências

Recuperação de terra árida através da permacultura no Brasil / treehugger

Fazenda e horta com princípios de permacultura em MG

http://www.fkcomercio.com.br/dicas_de_fossa_septica.html http://mundogepec.blogspot.com.br/2009/07/fossa-ecologica-tanque-de_13.html https://pt.scribd.com/doc/103214871/Fossa-Septica-Economica https://guiaecologico.wordpress.com/2012/07/16/projeto-de-fossa-septica-economica-com-melhores-explicacoes/ http://habitat3.org/wp-content/uploads/commit_files/zPIfHnM3JeC2v2wQk0.pdf http://www.recicloteca.org.br/noticias/fossa-septica-biodigestora/

http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/50385/Instituto-Vital-Brazil-usa-m%C3%A9todopara-despoluir-c%C3%B3rrego-em-Niter%C3%B3i.htm http://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/como-e-possivel-recuperar-um-rio-poluido/ http://www.au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/234/restauracao-do-cheonggyecheon-seulcoreia-do-sul-296126-1.aspx http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/2833 http://portalarquitetonico.com.br/uma-impressionante-renovacao-urbana-em-seul/