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De Projeto Paisagístico
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Paisagem Infraestrutural

Manuela Torres e Guilherme Andrade

Yona Friedman

A cidade espacial proposta por Yona Friedman é a aplicação de seu próprio conceito de "arquitetura móvel". Esse conceito trata da "moradia decidida pelo morador" por meio de "infra-estruturas que não são nem determinantes nem determinadas", construídas para uma "sociedade móvel". Para ele, o ensino da arquitetura foi um dos responsáveis por diminuir o papel do usuário, sem se basear em nenhuma teoria real da arquitetura. Friedman propõe então que sejam desenvolvidos manuais para os fundamentos da arquitetura para o público em geral.

A cidade espacial é uma materialização de suas teorias, tornando possível que todos desenvolvam a sua própria hipótese. Nela, os edifícios devem:

- tocar o chão sobre uma área mínima - ser capazes de serem desmontados e transferidos - ser mutáveis tal como demanda o morador

Em um de seus experimentos, Friedman levanta uma estrutura tridimensional em pilhas que contém volumes habitados, instalados no interior de espaços vazios, que se alternam com volumes não utilizados. Esta estrutura representaria uma espécie de fusão entre o campo e a cidade, podendo evidenciar:

- determinados lugares indisponíveis, - áreas onde a construção não é possível ou permitida (extensões de água, região pantanosa), - áreas que já foram construídas em cima (uma cidade existente), terra acima.

Esta introdução de elementos de uma grelha tridimensional com vários níveis em pilhas permite uma ocupação variável do espaço por meio da convertibilidade das formas e a sua adaptação a vários usos.

Sua técnica de Spanning inclui estruturas contentoras e inaugura um novo conceito urbanístico. Os planos levantados aumentam a área original da cidade a tornam-na tridimensional. A hierarquização da cidade espacial em vários níveis independentes, um em cima do outro, determina "cidade-ordenamento do território" tanto do funcional quanto do ponto de vista estético. O nível mais baixo pode ser atribuído a vida pública e para instalações concebidas para os serviços comunitários, bem como zonas pedonais. As pilhas contêm os meios verticais de transporte (elevadores, escadas). A superposição de níveis deveria tornar possível a construção de uma cidade industrial inteira, ou de uma cidade residencial ou comercial, no mesmo local. Desta forma, a Cidade Espacial forma o que Yona Friedman chamaria de uma "topografia artificial". Esta grade suspensa no espaço descreve uma nova cartografia do terreno, com a ajuda de uma rede homogénea contínua e indeterminada permitindo o crescimento ilimitado da cidade, mais ou menos como acontece em Toquio nos dias de hoje, conforme aula do dia 9 de Agosto. "A cidade, como um mecanismo, é, portanto, nada mais do que um labirinto: a configuração dos pontos de partida e pontos terminais, separados por obstáculos".

Yona exibe atualmente sua Summer House, baseada no projeto da Ville Spatialle, em Londres. [1] Conforme artigo publicado na Architect Magazine


Desenhando a Cidade em Tempos Instáveis - Saskia Sassen

O autor considera que um mesmo indivíduo poderia desenvolver praticas artísticas e comerciais, para recuperar as tradições maciças ou mediar as novas formas de fragmentações através de intervenções artístico-culturais (políticas). O arquiteto deve intervir para fazer a cidade resistir às lógicas do lucro e da permanência, uma vez que as cidades são complexas - caracterizadas por redes digitais, aceleração, infraestruturas maciças para o transporte e para as funções econômicas e crescente alienação. É importante atender às necessidades em cidades com enorme experiência urbana. Ele diz que « uma cidade esta cheia de espaços subutilizados marcados mais pela memoria do que por seu significado no presente como espaço subutilizado » que permitem ignorar as infraestruturas desproporcionais que compõe a rede urbana.

Alguns exemplos citados pelo autor são:

Kermés Urbana - Buenos Aires

« Kermes Urbana é um sistema que realiza o planejamento urbano coletivo com base em estruturas informais . O módulo de base é o quiosque, que cria uma atmosfera justa e semelhante , quando utilizado em determinada quantidade. ( Kermes = Kirmes=quiosque) . Estes quiosques são a base perfeita para se entrar em contato com pessoas de maneira lúdica e abrir o campo de planejamento urbano para elas. (…) Kermes Urbanas são colocados em " Terrain Vagues «  (terrenos vagos) para gerar novas perspectivas para o espaço e cidade. » (em [2] consultado em 25/08/2016)

Rally Conurbano - Buenos Aires

« Alguns dos tópicos que o rali busca no subúrbio são: O que é o material (fragmentado) da cidade? A que sistema ele corresponde? Qual é a situação? Registrar um lugar? Como definir uma paisagem? Como distinguir as qualidades especificas de um lugar? Como você pode gerar slogans para alguém à procura de um lugar? Geralmente, Rallyconurbano propõe diferentes rotas em torno de locais singulares coletivos nas bordas da cidade. O projeto poderia ser visto como uma tentativa de "editar" a cidade, escolher qual parte da cidade pode se juntar com outra e discutir sob esse conceito. Tratar da cidade em conjunto, ligar fragmentos que poderiam servir para explicar alguns com outros, numa espécie de montagem da experiência da paisagem. (…) Rallyconurbano por trás se concentra em espaços públicos "circulando" e como eles podem ser transformados em uma experiência estética coletiva. » (em [3] consultado em 25/08/2016)