Usuário:Mariaclara

De Projeto Paisagístico
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Referências:

http://www.sosnovalima.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=3

http://www.rmbh.org.br/central.php?tema=Legisla%C3%A7%C3%A3o-Plano_Diretor

  • Diagnóstico Urbano de Nova Lima
  • Mapas temporais do Google Earth

Conceitos utilizados:

Jane Jacobs; O espaço público mais seguro e mais humano possui "olhos na rua". Os vizinhos se conhecem, se protegem, as janelas são voltadas para o espaço público, as pessoas circulam na rua e apropriam-se do espaço. Ao contrário, o que se vê mais comumente hoje em dia, assim como no caso de estudo de Nova Lima, no Vila da Serra e no Vale do Sereno, é o espaço comum voltado para dentro dos grandes edifícios, a área "pública" que os moradores utilizam é a área social do prédio, que por sua vez é um prédio alto, afastado da rua, com grandes muros. As ruas ficam abandonadas, quem ainda as utiliza como pedestre está sozinho, vulnerável. Até porque quanto menos pessoas as utilizam, menos elas são consideradas. As calçadas muitas vezes estão em situação precária, os pontos de ônibus não são bem equipados, mobiliário público, quando existe, também não possui grande manutenção, segurança publica muitas vezes falha. Tudo isso só gera mais aversão ao usuário. Levando cada vez mais as pessoas a buscarem recursos de lazer, transporte e instalações internos aos edifícios e carros. Que é exatamente a crítica feita pela autora Jane Jacobs.

Herman Hertzberger; O espaço público não funciona simplesmente por existir. O espaço público e o mobiliário público têm o dever de ser atrativo, de ser convidativo. É positivo para a comunidade que o espaço público seja ocupado, mas isso deve acontecer de maneira natural, algo nele deve assegurar que as pessoas têm uma razão para estar ali. Seja pela ambiência, pela sombra, pelo descanso, pela curiosidade, pelo contemplamento ou pela funcionalidade. Assim como sugerem vários conceitos presentes no livro Lições de Arquitetura, do autor Herman Hertzberger.

Trabalho Prático: Tema: Análise crítica do processo de ocupação e crescente verticalização no município de Nova Lima na região do Vila da Serra e Vale do Sereno

Abordagem: Mapeamento da área de estudo levantando os pontos referentes ao pedestre e usuário do espaço público, como as calçadas, os pontos de ônibus e as faixas de pedestres. Levantamento dos pontos de comércio, das áreas de preservação ambiental e da qualidade ambiental, como aspectos climáticos. Contraponto da paisagem existente com a paisagem vendida pelas imobiliárias. Análise histórica comparando a legislação vigente com o que era proposto aos bairros no início de sua ocupação. Pesquisas sobre as permissividades feitas pela prefeitura e suas consequências. Evolução rápida da urbanização da área apresentada por fotos aéreas de diferentes anos. Conceituação da dinâmica existente. Comparação dessa região com outras áreas verticalizadas da cidade de Belo Horizonte. Proposta do que poderia ter sido feito para um espaço melhor para todos.

Segundo o Diagnóstico da Cidade de Nova Lima, a habitação como um todo é um problema da cidade. Como foi lido:

4.6.6. Habitação Apesar do Município ter grande oferta de habitação para populações de alta renda, o mesmo não se repete para os demais extratos sociais. É sensível a ausência de oportunidades imobiliárias na Sede e de empreendimentos estatais para as populações de baixa renda do Município. Foram levantados alguns projetos de interesse social já executados na Sede Municipal, tais como: Conjunto Habitacional Alto Gaia com 274 unidades destinadas à famílias de baixa renda, sua implantação deixava uma faixa desocupada, lindeira as vias que limitavam o loteamento, que foi ocupada posteriormente de maneira irregular; e o Conjunto Habitacional Oswaldo Barbosa Pena (na antiga fazenda do Pastinho) – fruto de uma experiência de parceria entre e a COHAB-MG e a Prefeitura Municipal para a construção de edifícios de 4 pavimentos de estrutura metálica executados em regime de mutirão, em parte do terreno. A presença do forte vetor de empreendimentos residenciais para a população de alta renda, em sua maioria proveniente de Belo Horizonte, a valorização do solo da Sede Municipal, a fragilidade ambiental do entorno e a marcante presença de propriedades de empresas mineradoras acentuam a necessidade de elaboração de um Plano Habitacional para Nova Lima. Apesar do déficit habitacional do Município não estar levantado de maneira precisa, é sensível a necessidade de demarcação de Zonas Especiais de Interesse Social tanto para produção de Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação do Mercado Popular (HMP), como para a requalificações de núcleos urbanos consolidados degradados. Tais empreendimentos devem levar em consideração o espaço urbano construído e sua bem sucedida experiência da mescla de usos em seu território, limitada apenas pelos incômodos que a inviabilizariam. A significativa presença de edificações de interesse histórico e arquitetônico compõe um interessante conjunto Art Deco, somado a presença dos peculiares Bonserás, ao longo das ruas de Nova Lima. É interessante que essa paisagem seja preservada e sua mescla de usos estimulada através da associação dos instrumentos de ZEIS e Zonas Especiais de Preservação Cultural (ZEPEC)7

Resenhas

Artigo do Rogério Leite, Contra-Usos e Espaço Público: Notas sobre a construção social dos lugares na Manguetown. O artigo é introduzido citando Paris e as reformas feitas por Haussmann, que utilizou das reformas urbanas para melhoria da circulação também como uma estratégica política. As políticas de embelezamento e reformas tinham o objetivo de disciplinar o uso do espaço urbano, dificultando as barricadas e facilitando a ação da cavalaria. A estratégia de usar o espaço urbano para induzir um comportamento é objetiva, já que o espaço público também molda as relações humanas. Como é dito mais adiante no artigo, o autor parte da premissa que nem todo espaço urbano é um espaço público. O espaço urbano pode ter, ou não, práticas sociais, que é o que difere um espaço público. Ou seja, o espaço urbano se configura como espaço público quando nele se passam um conjunto de ações, quando existe o caráter de pertencimento, quando diferenças são notadas e se confrontam.O espaço público ultrapassa a rua, está numa dimensão socioespacial. A partir dessa análise pode-se dizer que a área de estudo do trabalho prático desta disciplina não possui espaços públicos, mas sim espaços urbanos. Nesse caso, esse é um dos pontos que o grupo entendeu como muito prejudicial para a evolução urbana da região.

Artigo da Saskia Sassen, Desenhando a Cidade em Tempos Instáveis. A autora inicia explicando a diferença entre desenho e prática artística. Segundo ela, o desenho faz arte para obter ganhos, e a prática artística tenta subverter isso. Para ela, a lógica das cidades é a lógica do lucro, das interconexões, das redes, cartografias subjetivas. A experiência urbana é enorme. Os terrenos vagos fogem da regra do lucro e são possibilidades. Terreno vago deveria ser um espaço público. Ou detectar arquiteturas possíveis.