Usuário:Mobilidade Pampulha

De Projeto Paisagístico
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1- Introdução (desenvolvido por Camila Nascimento)


A história da UFMG tem muito a ver com o projeto da construção da Pampulha. Ainda na década de 40, foi incorporada ao patrimônio territorial da universidade uma extensa área na região da Pampulha, para a construção da Cidade Universitária.

É evidente que os gestores públicos do estado não colocaram o seu campus na Pampulha por acaso. A ida da UFMG para a Pampulha foi concebida para complementar um projeto urbanístico único e inovador no país até então. Ao longo das últimas décadas, nota-se que existe uma grande desconexão entre a UFMG e o restante da Pampulha.

Há alguns anos foram instaladas cancelas, câmeras e lombadas nas entradas da UFMG. Hoje restam as lombadas e as câmeras, que ninguém sabe dizer se e como funcionam. Agora, tendo em vista o aumento das ocorrências de furto e agressões, pretende-se implantar alguma ferramenta que identifique as pessoas que entram no campus.

Medidas como essas partem do suposto de que a UFMG é uma ilha e que o “mal” é o que vem de fora, nos dando a falsa sensação de que, com mais vigilância, teremos um campus “feliz e harmonioso”. Ao mesmo tempo, obscurecem o debate, pois pretendem isolar a UFMG do caos urbano em que Belo Horizonte está se transformando – como se isso fosse possível.

É evidente que, quanto mais intensa a circulação de pessoas, de veículos e de interesses, mais o campus estará sujeito aos mesmos problemas da cidade. Mas é espantoso que da Universidade, lugar onde supostamente se forma uma elite intelectual, partam propostas que reproduzem medidas tomadas pelos cidadãos comuns de Belo Horizonte: mais vigilância, mais “fechamento” em torno de si mesmos, mais agressividade urbana. Essa é a lógica dos espaços privados, onde os proprietários podem fazer o que quiserem. Já em relação ao campus, estamos falando de um espaço público, ou que pelo menos deveria ser público, na acepção mais profunda da palavra.

Ocorre que carecemos, em nossa sociedade, de uma verdadeira concepção do que seja o “público”. O senso comum aponta que “público” é o que não tem dono e não o que é de todos. Se, por um lado, por não nos identificarmos com o espaço, tratamo-lo com muito menos cuidado do que teríamos caso se tratasse dos nossos apartamentos ou casas, por outro usamo-lo como se pudéssemos nos apropriar inteiramente dele, de qualquer maneira, sem pensarmos que o respeito ao outro deveria pautar cotidianamente nossas atitudes. O espaço público transforma-se, assim, no “ponto de despejo” da vida social, local onde jogamos lixo, depredamos e pisamos nos bens de todos. Precisamos, ao contrário do que está sendo feito, abrir a UFMG para que ela se torne mais pública, para que seu espaço possa ser realmente usado e aproveitado por todos.

O espaço com o qual ninguém se identifica, o espaço de passagem, que não permite a criação de relações entre as pessoas e ele próprio além daquelas às quais está materialmente destinado, é fadado à violência e à degradação. Precisamos de um ambiente que comporte a possibilidade de outros trajetos, de outros percursos. De um lugar que comporte outros sons que não apenas os dos veículos com pressa e dos incessantes teclados de computador.

A UFMG foi, por anos, não só fisicamente mais aberta à comunidade como evidentemente mais respeitada por ela das mais variadas formas. As cancelas, as câmeras e as medidas que pretendem identificar as pessoas apenas contribuirão para o estreitamento dos espaços, para que os que estiverem “de fora” percebam-se cada vez mais como não responsáveis e não pertencentes a eles. E para que agridam um espaço que agride a eles, cotidianamente.

Não se pretende uma abertura indiscriminada e sem controle dos “portões” – até porque não compartilhamos da concepção de que o espaço público possa ser apropriado de maneira privada, seja de que forma for e por quem quer que seja. Trata-se, isso sim, da transformação da natureza desse espaço, que deve ser um ambiente realmente público. Fechar os portões não trará melhores resultados do que têm trazido medidas semelhantes a esta no resto do mundo e, principalmente, no Brasil.

Um dos lugares públicos urbanos por excelência são as praças. Nelas estreita-se a convivência, criam-se laços, reconstroem-se os espaços e deles as pessoas se apropriam e se reapropriam. Quantas praças o campus possui? Apenas uma e – sintomaticamente – uma praça “de serviços”, quer dizer, não um lugar de convivência, mas por onde se passa, de modo rápido, em busca de um produto ou de um serviço. Parece-nos que também habitantes do campus, não possuem com este espaço um relacionamento “público”.

A partir desses pontos podemos pensar em muitas medidas para tornar o campus um lugar de todos. Por que não abrir a UFMG nos finais de semana para uma convivência maior? Por que não criar áreas onde as pessoas possam circular livremente e não como “automobilistas”, tecendo, assim, relações mais próximas e afetuosas? Por que não criar mais praças, lugares onde as pessoas iriam para compartilhar tempos livres, afetividades simples, sem obrigações? Por que não criar mais vizinhanças, já que vivemos numa universidade que apenas reproduz a ausência de possibilidades para criarmos e reproduzirmos verdadeiros espaços públicos nos nossos espaços cotidianos?


2- Objetivo (desenvolvido por Camila Nascimento e Géssica Rodrigues)


O campus Pampulha da UFMG, localizado na região da Pampulha, em Belo Horizonte, comporta-se como uma cidade medieval, já que existe uma barreira clara, física, entre ele e o restante da cidade. Além dessa barreira física, o próprio acesso ao campus é um fator determinante para essa situação de isolamento e sua articulação dentro da paisagem urbana.

Caso a população se apropriasse mais do campus, utilizando seu espaço também para o lazer, esse ficaria mais vivo, mais seguro e a comunidade supriria demandas existentes através de um bem público que pertence a todos.

O presente estudo pretende analisar a relação da população com o espaço do campus Pampulha a fim de entender se as pessoas realmente sentem vontade de apropriar-se mais do ambiente, ou seja, a relação de pertencimento, e quais instrumentos podem ser utilizados para que isso ocorra. A partir disso, a proposta de intervenção poderá ser desenvolvida, caso seja necessária.


3- Apresentação da área (desenvolvido por Camila Nascimento e Géssica Rodrigues)


Uma vez que é notória a não apropriação do Campus UFMG como espaço público de convivência, pela população belo-horizontina, e visto seu potencial devido a grande área, tomou-se a área para estudo. O campus Pampulha, está localizado na Avenida Antônio Carlos, regional Pampulha e teve início de sua construção nas décadas de 1950 e 1960, quando foi decidido transferir a maioria das faculdades da UFMG para o mesmo local e construção da Cidade Universitária.

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O campus Pampulha possui uma área de cerca de 5.375.579 m², sendo que dos quase 400.159 m² de área construida, 342.967 m² são ocupados por prédios escolares e laboratórios (dados de 2007).

Circulam pelo campus Pampulha, em um dia letivo, cerca de 50 mil pessoas. O transporte coletivo interno no campus da Pampulha abrange todos os prédios do campus e alguns em sua adjacência, como o Centro Esportivo Universitário. Este transporte é feito por meio de linhas (A e B) com percurso predefinido e horários estabelecidos em função das atividades acadêmicas da Universidade.

Ligando o campus Pampulha com a cidade de Belo Horizonte há coletivos gerenciados pela BHTrans que atendem diretamente a UFMG, são eles: 5102 (UFMG/Santo Antônio), 9502 (São Francisco/São Geraldo), 9550 (São Francisco/Casa Branca), s50 (Cidade Nova/Caiçara).

Nos planos diretores da prefeitura de Belo Horizonte existe um projeto para criar uma linha de metrô, que ligaria a região da Savassi até a região da Pampulha, passando pela UFMG. O projeto ainda não se encontra em implementação.

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4- Metodologia (desenvolvido por Géssica Rodrigues)


Este trabalho inicia-se com uma análise da área de intervenção, que é a região da Pampulha tendo como foco o campus da UFMG. Nessa primeira análise, levanta-se o questionamento da relação do Campus com a região da Pampulha e, até mesmo, com o restante da cidade. Entende-se que o espaço não é visto como um bem público, não sendo apropriado pela população e pouco usado além das salas de aula.

A partir dessa análise, que representa o posicionamento do grupo, um diagnóstico deve ser elaborado levando a uma proposta de intervenção para a área. Para isso, é importante identificar o que a comunidade pensa sobre a área. Se a análise feita pelo grupo coincide com a opinião da população.

Uma entrevista será realizada com pessoas de diferentes perfis. O roteiro escolhido busca confirmar a proposta apresentada pelo grupo, assim as perguntas vão partir da proposta de projeto.

Com as entrevistas realizadas é possível compreender se a proposta de projeto apresentada pelo grupo é viável e, em caso afirmativo, desenvolvê-la. Em caso negativo, será feita uma conclusão do estudo levantando as divergências das opiniões.

O desenvolvimento da proposta será baseado em mapas, ilustrações, croquis e colagens para simular a transformação da paisagem do Campus e seus efeitos.


5- Projetos de referência (desenvolvido por Natália Diniz)


- Cidade Universitária de Caracas

A Cidade Universitária de Caracas é o campus principal da Universidade Central da Venezuela e está localizada no Município Libertador de Caracas, e em 2000 foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

O conjunto arquitetônico da Cidade Universitária de Caracas, obra do arquiteto venezuelano Carlos Raúl Villanueva, representa uma grande parte dos mais altos ideais e proposições do urbanismo, da arquitetura e da arte modernos. A Cidade Universitária de Caracas é a utopia moderna construída, representa o vínculo para alcançar um mundo ideal de perfeição para uma sociedade e um homem novos que haviam surgido no mundo ocidental graças às mudanças filosóficas, sociais, tecnológicas e estéticas ocorridos nos séculos anteriores.

Neste conjunto Villanueva quis resolver de forma eficiente e funcional os problemas que se haviam apresentado nas cidades tradicionais, propondo recuperar a relação perdida entre os espaços urbanos e a natureza. Para isso desenhou sua arquitetura de acordo com a escala do homem, incorporando e aproveitando em seu funcionamento e em sua construção o desenvolvimento tecnológico de seu tempo, com a introdução do automóvel e o uso do concreto armado. Suas formas e estruturas expressam o espírito dos novos tempos, onde se cria um novo espaço complexo, aberto, integrado e dinâmico e onde as artes passam a formar parte essencial do lugar habitado pelos homens.

A Cidade Universitária de Caracas constitui uma interpretação moderna de nossas tradições arquitetônicas e urbanas coloniais e é uma solução exemplar para a arquitetura de nosso clima tropical. Além disso, por se tratar de um complexo projetado durante mais de vinte anos (1944 e 1970), possui o valor histórico de representar as mudanças que se sucederam durante este século do urbanismo e da arquitetura acadêmicos até a plena modernidade.

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TEMAS - VALORES

Os temas desenvolvidos por Carlos Raúl Villanueva na Cidade Universitária de Caracas, foram determinados estabelecendo as qualidades que podem ser inferidas a partir da análise da própria obra e sua explicação se sustenta nos textos e obras da modernidade que ele mesmo escreveu. São nove temas, dos quais apresentaremos um pequeno comentário sintético ou uma citação de seus escritos:


- Urbanismo. A cidade moderna

Villanueva defende que tem de haver uma reciprocidade da importância urbana da arquitetura e a importância arquitetônica do urbanismo, pois ambos representam aspectos opostos de uma só entidade. E que é de responsabilidade do arquiteto promover tal conexão.


- Urbanismo. Complexa organização funcional moderna

Segundo o arquiteto, o fenômeno urbano não deve ser pensado de forma decomposta (habitar, trabalhar, circular, cultivar o corpo e o espírito) na hora de se projetar espaços urbanos, mas sim de forma unificada e aglutinada, para que os espaços se tornem mais ricos e úteis.


- Tecnologia. Concreto armado. Estruturas escultóricas

O arquiteto exibe sua simpatia pelos materiais simples, mas que permitem uma variedade de formas e ousadias, dentre eles principalmente o concreto, símbolo do progresso construtivo da época.


- As formas complexas e abstratas

Villanueva por diversas vezes expressa sua empolgação frente a evolução tecnológica na construção civil, que agora possibilita uma variedade de possibilidades formais. E ainda engrandece os artistas por abrirem as portas desse universo escultural que agora podemos fazer parte.


- O espaço. Dissolução dos limites entre interior e exterior

“Nasceu de fato um novo espaço, uma nova sensação espacial muito distinta em seu conteúdo, mais dinâmica, mais ativa e mais humana. Consegue-se evitar não apenas a forma puramente geométrica, pois tudo se dissolve agora, se adelgaça, se torna contínuo e transparente e sobretudo se une com outros espaços e outros volumes e outras aberturas, com uma riqueza de possibilidades jamais imaginada. Tudo se atravessa, se interpenetra de um modo fluído e penetrante, em uma gama rica e potente que expressa características próprias que são: elasticidade, movimento, continuidade e dinamismo”. (C. R. Villanueva, Tendências atuais da arquitetura (1963), Caracas, 1980, p. 47.)


- O espaço dinâmico. A quarta dimensão

Segundo o arquiteto venezuelano, a arquitetura passou por um processo evolutivo onde o usuário interage muito mais com o espaço construído, conhecendo-o e descobrindo suas possibilidades ao mover-se dentro dele.


- A síntese das artes. O museu moderno

“Introduzir a obra pictórica ou escultórica dentro do marco arquitetônico significa atualmente evidenciar um claro desejo de assumir responsabilidades sociais. Faz falta repetir que o artista contemporâneo já não pode criar para si mesmo, em um mundo pessoal cuja compreensão está circunscrita a um número limitado de pessoas, ou que flutue no isolamento estéril da atuação individual?” (C. R. Villanueva, A síntese das artes, p. 8)


- O local. O clima

O arquiteto faz uso de diversas estratégias coloniais e orientais para lidar com os desafios do clima tropical da região, como por exemplo o uso dos cheios e vazios nas fachadas e das persianas e telas de madeira, para controlar a incidência direta do sol. “Porque ao utilizar funcionalmente os materiais próprios, nossa arquitetura não foi concebida unicamente para o homem, mas também para um clima e uma luz muito definidos, realizando assim uma harmoniosa unidade com a paisagem que nos rodeia”. (C. R. Villanueva, Arquitetura colonial, Caracas, 1980, p. 74.)


- A poesia

Segundo Villanuevas, nós arquitetos devemos ter cuidado para não produzirmos formas puramente utilitárias e gerar espaços frios, sem simpatia.


- Plano Diretor e os Projetos Urbanístico e Paisagístico para a implantação de um Campus Universitário na cidade de Ituiutaba/MG


A integração entre campus e cidade apresenta-se como um desafio para o planejamento ambiental e desenho urbano. Para solucionar isso, o projeto proposto, enquanto organização espacial visou à urbanidade e o equilíbrio do ecossistema do cerrado, a partir da paisagem existente que induziu a criação de três unidades paisagísticas com funções distintas, e que foram determinantes na definição das densidades e usos do solo, evidenciando a urbanidade, criando centralidades e reforçando a conectividade entre as bordas/periferias da cidade e o campus universitário.

O acesso de pedestre aos espaços públicos com facilidade, eficiência e comodidade, de um lado, colabora significativamente com o encontro casual e, consequentemente, com a formação da dinâmica urbana que se busca e, de outro, aumenta as chances de inclusão social tornando o pedestre tão ou mais importante que o automóvel, ou seja, além de favorecer a sustentabilidade ambiental, favorece a formação da condição de Urbanidade.

Neste sentido, este planejamento, pautado nos aspectos físicos e bióticos do sítio, nas relações espaciais com o entorno e nos aspectos funcionais do programa induziram uma conectividade, ao definir quatro quadrantes e uma área central, que serão delimitados pelas vias de acesso e circulação, que irão favorecer atividades que proporcionem uma relação de convívio entre diferentes funções presentes em um campus, criando centralidades a fim de proporcionar a urbanidade pretendida.

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A organização espacial proposta a partir da centralidade privilegia uma ocupação diversificada e interdisciplinar que define quatro eixos de expansão: nordeste - centro e norte - centro e futuramente centro-sudoeste e centro-sul, de maneira que as futuras construções e/ou ampliações deverão garantir acessibilidade e permeabilidade visual do conjunto. Esta estratégia permitirá que o centro se urbanize e se consolide, ao invés de contar com construções esparsas e isoladas. Prática utilizada anteriormente nos campus universitários brasileiros

O desafio na busca de integração entre campus e cidade através do planejamento ambiental e do desenho urbano para o Campus Pontal foi enfrentado na perspectiva de uma implantação sustentável para requalificação da área em seus aspectos físicos e bióticos, nas ações de interação com a população vizinha e nas relações através dos usos urbanos do entorno em seus aspectos funcionais.


6- Entrevistas (desenvolvido por todas os integrantes do grupo)

ROTEIRO

Você costuma ir a parques?

Você sabe quais parques existem na região da Pampulha ou qual é o mais próximo de você?

Você gostaria de frequentar mais ambientes como os parques?

Que tipo de atividade você faz ou faria neles?

E o Campus UFMG, você frequenta?

Sente que o espaço é convidativo?

Mudaria algo que lhe traz incômodo no Campus?

Se houvessem mudanças, você passaria a fazer alguma atividade no Campus que ainda não faz?


- Lizandra Vasconcelos. Estudante de Farmácia na UFMG - 23 anos - moradora do bairro Liberdade.

1. Raramente

2. Parque Ecológico da Pampulha e Estação Ecológica da UFMG.

3. Sim, gostaria de frequentar mais.

4. Caminhada e andar de bicicleta.

5. Sim.

6. Não acho que seja convidativo à comunidade.

7. Os pisos irregulares dos passeios e ruas atrapalham a passagem dos pedestre e ciclistas; o matagal em algumas regiões causa medo; e a falta de segurança em certos locais é bastante prejudicial.

8. Sim, se mudanças fossem implementadas, levaria amigos e familiares para passeios no Campus.


- Aline Araújo. Estudante de marketing na UNA - 26 anos - moradora do bairro Aeroporto.

1. Não

2. O Parque Ecológico da Pampulha

3. Sim

4. Atividades lúdicas, como caminhadas, piqueniques, ou apenas aproveitar o contato com a natureza.

5. Nunca entrei no ambiente do Campus.

6. Não, nem sabia que poderia entrar lá sem ser estudante ou funcionária do local.

7. Talvez a retirada das grades.

8. Acredito que se não tivesse grades eu saberia que se trata de um espaço público e poderia me sentir mais convidada a frequentar. Quanto ao espaço interno, como não conheço, não posso deliberar a respeito de mudanças.


- Sebastião Maria Fernandes. Aposentado - 67 anos.

1. Atualmente é raro, mas anteriormente frequentava mais.

2. Tem o Parque Ecológico da Pampulha, que é próximo da minha casa. Havia um projeto para um parque no brejinho, que seria ainda mais perto, mas parece que não foi pra frente. Um pouco mais distante da minha casa, porém ainda na Pampulha tem o Parque Lagoa do Nado, esse eu e minha família já fomos bastante.

3. Com certeza. É uma excelente forma de lazer.

4. Eu ia principalmente quando minhas filhas eram menores e fazíamos piqueniques. Mas gosto de descansar e fazer caminhada.

5. Já fui poucas vezes, apesar de ser bem perto da minha casa.

6. De forma nenhuma, quem não é aluno não se sente à vontade, apesar de ter alguns serviços abertos para a comunidade, já ouvi falar que tem cursos de idiomas, de culinária, gratuito ou de baixo custo. Mas ninguém consegue dar maiores informações sobre esses serviços.

7. Acho que mudaria esse atendimento à quem não conhece o campus. Além de expor melhor para o bairro os serviços prestados aos não-alunos.

8. Com certeza. Eu iria frequentar bem mais, usufruir das vantagens de se morar perto de uma universidade pública.


- Reinaldo Meireles . Faxineiro na UFMG.

1. Sim, aos domingos.

2. Parque Ecológico da Pampulha.

3. Sim.

4. Caminhada e passear com meus filhos pequenos.

5. Sim, é meu local de trabalho

6. Não, apenas quem trabalha ou estuda tem interesse de entrar na universidade.

7. Melhoraria as entradas e novas áreas de lazer ao ar livre.

8. Sim, levaria meus filhos para passear, andar de bicicleta e conhecer onde trabalho.


- Raquel Siqueira. Advogada, 24 anos, moradora do bairro Ouro Preto


1. Às vezes.

2. Aqui na Pampulha conheço apenas o parque ecológico.

3. Gostaria sim, muito.

4. Gosto de sentar ao ar livre e sentir a natureza, gosto de levar meu cachorrinho ao parque, andar de bicicleta, ler um livro, etc.

5. Não frequento o Campus.

6. Não sinto que é muito convidativo por causa das cercas, seguranças, catracas e tudo mais.

7. Não sei dizer com precisão porque não conheço o campus muito bem.

8. Com certeza.


7- Análise das entrevistas (desenvolvido por Larissa Fabri)

Analisando as entrevistas realizadas, podemos concluir que não temos com a UFMG um relacionamento “público”. As pessoas que frequentam o Campus, são trabalhadores, estudantes ou estão de passagem. Não há bem-estar das pessoas ao utilizarem o espaço.

Existe a demanda por áreas com um espaço hospitaleiro, que acolhe as pessoas. Lugares onde possa levar a família para passear, fazer caminhadas e aproveitar o dia.

Hoje não há acesso de pedestre com facilidade, eficiência e comodidade, que colabore com o encontro casual. Para a população as entradas são como barreiras, que só podem ser atravessadas com permissão.

A seguir, uma reportagem sobre um dia de lazer promovido pela UFMG. É como se a comunidade precisasse de convite para entrar no Campus, sendo um espaço público.


Comunidade transforma campus em praça de lazer

Ana Alda Gomes Tavares mora no bairro Itapoã, na Pampulha, e, por imposição da rotina, passa todos os dias pelas avenidas Presidente Antônio Carlos ou Presidente Carlos Luz (Catalão) para chegar ao trabalho, no Barreiro, onde trabalha na usina da Vallourec. “Sempre dá vontade de entrar e hoje tive uma boa ‘desculpa’ para retornar”, afirmou ela.

A “desculpa” em questão é o Domingo no campus, evento que abriu hoje as portas da UFMG para Ana Alda, sua filha Luísa [foto], de 4 anos, e para dezenas de famílias belo-horizontinas interessadas em curtir o campus como espaço de lazer. Ana Alda não é uma estranha no campus. Ela estudou no Coltec, onde costuma voltar para participar do Dia do Filho Pródigo, que reúne ex-alunos do Colégio, apelidados de coltecanos.

Outra visitante ao melhor estilo “o bom filho à casa torna” é a pedagoga Luciane Oliveira, que se formou em 2005 pela UFMG e, desde então, participa de eventos acadêmicos esporádicos no campus. Pela primeira vez, ela veio a passeio.

“É muito legal, faltam opções de lazer para a população de Belo Horizonte”, argumenta Luciane [de blusa preta, na foto], uma das primeiras a chegar ao campus na companhia do irmão Leocimar Marcos, servidor da Diretoria de Ação Cultural (DAC), da cunhada Edna, do sobrinho Alberto e do filho Bernardo, além de Beatriz, de quem está grávida há sete meses.


Batendo ponto

A família da professora Andréa Moreno, da FaE, é habitué do campus. Não apenas nos dias de semana, quando ela está envolvida na rotina acadêmica, mas também aos domingos quando faz uso do espaço para o lazer.

Com o Domingo no campus, ela, a filha Luana, de 13 anos, e o espevitado Teo, um cãozinho maltês que corria freneticamente de um lado para o outro, ganharam mais um motivo para "bater ponto". “É um lugar muito agradável, bom para divertir”, afirmou Luana, depois de se equilibrar na corda do slackline, atividade organizada pelo PET Educação Física e Lazer.

O professor Marcos Antônio de Camargos, da Face, e a esposa Mirela Castro Santos Camargos, docente da Escola de Enfermagem, trouxeram os filhos, os gêmeos Marcelo e Murilo, de 5 anos. “Queria que eles conhecessem o nosso local de trabalho”, disse Camargos.

Além das brincadeiras monitoradas pela equipe do PET, algumas crianças aproveitaram a manhã para promover atividades paralelas. Alice, de 8 anos, lia o segundo título da série Diário de uma garota nada popular, enquanto esperava a amiga, Isa, para iniciar o encontro do clube do livro. “Eu trouxe dois livros. Quando minha amiga chegar, vamos trocar entre a gente”, explicava Alice, que veio acompanhada da mãe, Miriam Pompeu, e do pai, que é professor da Universidade.


8- Proposta de intervenção (desenvolvido por todas as integrantes do grupo)

Ao analisar o espaço do campus é possível encontrar vários pontos passíveis de alterações e se tornarem mais convidativos para a população. Considerando o grande fluxo da Avenida Antônio Carlos, foi feito um levantamento da portaria do campus que fica nessa avenida e da rua principal (Avenida Reitor Mendes Pimentel), já dentro da UFMG, que liga a portaria a praça de serviços. A seguir são apresentadas as principais deficiências observadas.

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Para solucionar essas deficiências foram feitas propostas de intervenção na área que valorizem o pedestre. O entorno da rua também foi pensado para o lazer, não sendo apenas lugar de passagem. A segurança e o conforto foram considerados como pontos de partida.

Devido a grande área que abrange o campus, o uso de bicicletas no seu interior pode ser uma boa opção para aumentar a circulação de forma mais cômoda.

Para isso, é uma intenção projetual instalar bicicletas junto aos pontos de ônibus internos para que essas possam ser usadas livremente dentro do campus.

Utilizar a área ociosa próxima a calçada como um parque é um atrativo para novos usuários e um espaço procurado por quem já frequenta o campus, seja para descansar ou estudar ao ar livre.

Mudanças na portaria para que ela funcione mais como uma recepção do que uma barreira é outra proposta. É importante também focar na circulação do pedestre nesse ponto de contato com a Avenida Antônio Carlos.

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Nas calçadas propõem-se a substituição do pavimento existente por tijolos intertravados feitos de pneu reciclado, que oferecem boa vida útil sem necessitar de muita manutenção. E instalação de ciclovia como forma de facilitar a circulação segura de ciclistas pelo Campus.

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Implantação dos dispositivos de trafic calming nas travessias de pedestre, nivelando a faixa com o passeio.

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Atualmente os pontos de ônibus da Avenida Reitor Mendes Pimentel encontram-se em péssimo estado. Além disso a sinalização é deficiente e muitas vezes não informa as linhas que passam pelo local.

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Serão instalados novos pontos de ônibus e em pontos estratégicos haverá também bicicletários onde os estudantes poderão pegar bicicletas emprestadas.

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A falta de iluminação gera insegurança e é um fator que limita o uso do espaço a noite. No canteiro central, deverão ser instalados postes mais altos, que iluminem os dois lados da via, bem como implementação de postes mais baixos nas calçadas.

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É possível observar espaços ociosos que podem ser usados para suprir a demanda de um local para descanso e lazer dos alunos e dos visitantes.

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Além das propostas acima um ponto importante é a criação de um parque. A proposta visa unir as deficiências relatadas nas entrevistas, pois há uma queixa de falta de parques na região da pampulha e exclusão da participação dos moradores das atividades diárias do campus. Sendo assim, um parque pode criar um elo paisagístico com a cidade, se tornando mais convidativo e receptivo para os moradores de região. Dessa maneira seria criado um espaço de lazer para a cidade como um todo, utilizando um potencialidade encontrada no campus.

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Serão instalados então, mobiliários urbanos flexíveis e de multi utilização no decorrer do parque. Uma forma de instigar a sua utilização e permanência, criando um espaço agradável para descanso, lazer e interação pessoal. É importante que esse parque seja uma união entre o externo e o interno é um respiro urbano aos ciclistas e pedestres.

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Com o objetivo de deixar o campus Pampulha mais acolhedor, a portaria aparece mais limpa, sem barreiras que causam receio para o visitante. A implantação de uma passarela sobre a Avenida Antônio Carlos para comportar melhor o fluxo de alunos que se deslocam para as estações de BRT é um meio para facilitar a circulação dos usuários e torná-la mais segura.

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9- Conclusão (desenvolvido por Sarah Fernandes)

A partir da análise da área AA escolhida, estudo dos casos análogos e da elaboração da proposta é possível assumir quão seria a importância de uma nova implementação no campus Pampulha. Surgindo como um ligamento entre cidade e escola, que há muito foi omitido.

Essa ligação favorece troca de conhecimentos e relações, que engrandece o ser urbano na sua vivencia cotidiana.

Sendo assim, as propostas escolhidas surgem como respostas as demandas solicitadas, que foram identificadas ao decorrer do trabalho, e somadas as entrevistas realizadas.