Usuário:NataliaDiniz

De Projeto Paisagístico
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AGRICULTURA URBANA

Uma das grandes questões atuais é como alimentar uma cidade. Milhares de pequenas e grandes cidades no mundo precisam diariamente que alimento suficiente seja produzido, transportado, comercializado, preparado, comido e eliminado. Já pensou em quanta energia esse processo diário demanda?

A questão é que, estima-se que em 2050 o número de pessoas vivendo em cidades vai ser o dobro do atual, ou seja, toda essa cadeia de produção e eliminação da comida será dobrada. O que mais preocupa é que à medida em que nos mudamos para cidades, mais pessoas vão comendo carne, de modo que um terço da safra global de grãos é direcionada aos animais e não a nós, humanos. Isso tudo nos leva a um questionamento: será que estamos nos alimentando de forma energeticamente eficiente?

Todo ano 19 milhões de hectares de floresta tropical são perdidos para se criar terra arável para produção de grãos e vegetais. Usam-se cerca de 10 calorias para produzir cada caloria de comida que consumimos no ocidente. Se todo alimento produzido fosse consumido estaríamos num cenário relativamente confortável, o problema é que aproximadamente a metade da comida produzida é jogada fora. E no final deste longo processo, não conseguimos nem alimentar o planeta adequadamente, nós temos um bilhão de obesos e outro bilhão de famintos.

Essa porém, não foi sempre a lógica predominante. pois as cidades, como conhecemos hoje, são uma invenção “recente”, como vamos ver mais a frente.

As cidades nasceram junto com a agricultura, a mais ou menos 10.000 anos atrás no antigo oriente médio. E não foi por acaso, agricultura e urbanismo precisam um do outro. Foi a descoberta dos grãos que produziu uma fonte de alimentos grande e estável o suficiente para suportar assentamentos permanentes. O fator determinante da lógica do ciclo do alimento e o que o diferencia de hoje é o transporte. Naquela época o transporte por terra era muito difícil, por isso as terras agrícolas se localizavam perto das cidades, em seus arredores, ou então o alimento chegava através dos rios e mares.

Foi a revolução industrial que mudou tudo. O advento do trem possibilitou que os animais fossem criados e abatidos longe das cidades e que os vegetais e grãos fossem cultivados a grandes distâncias. E isso muda tudo. Para começar, isso torna possível que cidades crescam a qualquer tamanho e forma, em qualquer lugar. Antes, as cidades eram restringidas pela geografia: a comida era obtida com dificuldades físicas muito grandes.

Depois dos trens vieram os carros. E isso marca o fim deste processo. É a emancipação final da cidade de qualquer relação aparente com a natureza.

A comida então, que costumava ser o centro, o núcleo social da cidade, está na periferia. Antes era um evento social, comprar e vender comida. Agora é anônimo. Uma das grande ironias do sistema moderno de comida é que eles deixaram muito mais difícil o que prometeram deixar mais fácil, nos tornamos totalmente dependentes de sistemas que só eles podem realizar, que, como vimos, são insustentáveis.


ALTERNATIVAS

Uma alternativa interessante e mais sustentável é trazermos o campo para a cidade. As cidades não precisam ser grandes bolhas metropolitanas não-produtivas. Se a cidade cuidar do campo, o campo cuidará da cidade. Sabemos que somos o que comemos, temos que entender que o mundo é também o que comemos. Se levarmos isso em conta, poderíamos usar comida como uma ferramenta poderosa para melhorar o mundo.

Cuba é um grande exemplo disso. Apesar de não ter sido uma iniciativa voluntária, mas sim uma alternativa ao caos alimentício que se instalou após o fim da União Soviética, Cuba construiu uma incrível história de resistência e inovação ao cultivar alimentos e até criar animais em qualquer terreno vago de Havana, em um espaço de dois anos, levantaram-se hortas e granjas em todos os bairros de Havana.

Apesar de que organizações como mercados de agricultores e produtos orgânicos se encontram emergindo a partir de movimentos locais, é difícil imaginar seus impactos como alternativa viável a nível de sistema de alimentação de massa. Somente com apoio e incentivo do governo isso se torna possível, como no caso de Cuba, onde foi criado o Departamento de Agricultura Urbana que levou a cabo algumas ações chaves: adaptou a normativa incorporando o planejamento do Usufruto, tornando não somente legal, mas também livre para adaptar terrenos sem uso e públicos a disposição de potencial território produtivo, treinou uma rede de agentes de extensão, membros da comunidade que monitoram, educam e incentivam a construir hortas comunitárias nos bairros, criou “casas de sementes” para prover recursos/informação, e estabeleceu uma infraestrutura de venda direta de Mercados Agrícolas para tornar estas hortas rentáveis.

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Mesmo que as circunstâncias em outros países não sejam tão graves, existem outros fatores fomentadores que podem estimular essa forma de produção, como por exemplo as crises econômicas atuais que tornaram necessário o reajuste urgente dos sistemas de produção/distribuição alimentares obsoletos, ineficientes e insustentáveis, além disso, a mudança cultural enquanto a relação com os alimentos, sobretudo devido aos emergentes problemas de saúde e as epidemias de obesidade, tem dado lugar a produção pessoal dos alimentos a serem consumidos.

Outra alternativa é o estímulo por parte do governo através de campanhas publicitárias ou até de incentivos fiscais por uma alimentação mais rica em vegetais e cada vez menos proteica. Isso porque, como vimos no tópico acima, a criação de animais demanda um gasto energético imenso, além de ser responsável também pela emissão de uma enorme quantidade de metano na atmosfera, um dos gases que contribuem para aquecimento global. Veja um artigo sobre isso em [1]

INICIATIVAS LOCAIS

Não precisamos ir longe para encontrarmos grupos que têm este tipo de iniciativa. O AUÊ! reúne pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação de outras unidades da UFMG e instituições de pesquisa, aproximando a temática da agricultura urbana (AU) a diferentes campos de investigação em curso na universidade, dentre eles: planejamento urbano, agroecologia, espaço público cotidiano, questão ambiental urbana, conflitos socioambientais, questão agrária, organização popular, segurança alimentar, economia popular e solidária. Promove o encontro entre pesquisadores e representantes de experiências populares, movimentos sociais e órgãos públicos que já desenvolvem ações que dialogam com a temática da agricultura urbana. Saiba mais sobre o AUÊ! em [2]

O AUÊ! promove vários projetos e incentiva diversas associações ligadas ao tema da agricultura urbana, uma delas é o Projeto Hortas, que tem por objetivo viabilizar a extensão do ensino e da pesquisa à comunidade, mediante a realização de atividades de agricultura urbana nos moldes agroecológicos, disseminando conhecimentos que possibilitem o desenvolvimento humano como agente sustentável. Descubra mais sobre o projeto em [3]