Espaço C2C

De Projeto Paisagístico
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Introdução

Hortas urbanas podem fechar o ciclo de nutrientes com resíduos e efluentes da própria cidade. Image by http://www.epeabrasil.com

O projeto tem como principio o novo conceito "Cradle to Cradle", criado pelo arquiteto, designer e professor de engenharia civil e ambiental , William McDonough, e o químico e engenheiro de processos Dr. Michael Braungart. Dentre as diferentes denominações desse conceito, temos: Cradle 2 Cradle, C2C e Regenerative Design.


Modelo de produção tradicional x Nutrição biológica e técnica. Image by http://www.epeabrasil.com

É um conceito que inspira a inovação para criar um sistema produtivo circular “do berço ao berço” onde não existe o conceito de lixo, tudo é nutriente para um novo ciclo e resíduos são de fato nutrientes que circulam em ciclos contínuos. Desde a revolução industrial, há mais de 200 anos, adotamos um modelo de produção linear, baseado em “extrair – fabricar – utilizar – descartar” (e ás vezes reciclar ou incinerar). Estamos acostumados com obras que geram muito lixo e edifícios rígidos que depois de 40 anos são destruídos para possibilitar outro uso.

Segundo Braungart, atualmente estamos perdendo a fertilidade do solo em uma velocidade alarmante, consumindo o fosfato da terra 5 mil vezes superior ao que estamos sendo capazes de repor. Em contrapartida, todos os dias desperdiçamos toneladas de fosfato presentes nos efluentes domésticos e nos resíduos orgânicos. No artigo “Treat Emissions as resources” Braungart e Mulhall defendem que o uso inteligente de CO2 como um nutriente para plantação pode aumentar a sua produtividade em até 10 vezes, e que a produção de fertilizantes provenientes de biomassa das cidades – esgoto e lixo orgânico – é algo elegante e eficiente.

Para viabilizar uma gestão agrícola urbana sustentável, a “Urban Agriculture Magazine n.23” apresenta estudos mundiais sobre a recuperação de fósforo e outros nutrientes por tecnologias de reciclagem dos resíduos urbanos (efluentes e lixo orgânico). No Brasil o OIA – O Instituto Ambiental – é uma ONG que desde a ECO-92, desenvolve técnicas alternativas e biológicas que promovem a reciclagem de nutrientes de biomassa. A tecnologia 100% adaptada para uso os trópicos para o tratamento das águas servidas, recuperação da fertilidade do solo, purificação da água, plantações, piscicultura e animais e ainda produção de biogás, funciona há decadas em diversos locais no Brasil, America Latina e Haiti, mas infelizmente ainda não foi descoberta pelos centros urbanos para promover o desenvolvimento de cidades “verdes” integrado ao tratamento de efluentes residenciais e o lixo orgânico.

Por isso, nesta análise, escolhemos a área do município de Belo Horizonte que apresenta uma grande concentração de edifícios subutilizados. A área em análise corresponde à área central entre a Avenida do Contorno, a Rua Curitiba e a Rua Caetés, na região central da cidade. O objetivo é mostrar como um edificio subtilizado como as edificações tombadas da Escola de Engenharia, poderia ter uma função muito diferente do que é feito hoje em dia, bonita, benéfica para a cidade e transformadora de uma paisagem repetitiva no centro. A partir do conceito de "Cradle to Cradle", agricultura urbana e a subutilização das edificações que fizemos essa proposta.

Área de intervenção delimitada

Objetivo

Nosso objetivo neste trabalho é uma contrapartida às obras de revitalização, no sentido de retroação. A partir de nossas pesquisas e discussões em salas de aula, chegamos a ideia de um edifício modelo para desenvolver a agricultura urbana e permitir diversos usos, através de estrutura mutável, para não só atender as necessidades que podemos enxergar na área agora, mas sim possibilitar grandes transformações de usos ou temperaturas, baseando sempre no conceito "Cradle to Cradle".

Hierarquia de fluxos
Levantamento dos usos da área

Análise

Através do estudo da Operação Urbana Consorciada (OUC) e das discussões em sala de aula, fizemos o levantamento dos usos da área em análise, definindo: comércio, estacionamento, tombamentos, desocupados, hotéis, institucionais, igrejas, equipamentos, residenciais e prostíbulos. Aplicamos a OUC tridimensionalmente sobre estacionamentos, edificações desocupadas, além do quarteirão da antiga Escola de engenharia da UFMG. Foram considerados os parâmetros da OUC para a área central de Belo Horizonte, como a taxa de ocupação equivalente a 70% e Coeficiente de Aproveitamento (CA) igual a 6, índices estes que somente as quadras centrais podem utilizar.

A implementação da OUC influenciará uma série de fatores na área de intervenção:

Quadra Central: -alto adensamento populacional na área central, associado à construção de unidades habitacionais menores, ao incentivo ao uso misto e ao incentivo à restrição de vagas de garagem; -CA bas: 1,0 -CA max: 6,0 -Taxa de Ocupação: 0,7 -garantir a circulação de pedestres dentro das quadras; quando possível ou necessário, ou mini parques urbanos nos empreendimentos (área de fruição pública: liberação de 0,2 de área livre de uso público nas demais quadras e demarcação de recuos de alinhamento em vias específicas);

Perspectivas do modelo segundo OAC
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A adoção de um coeficiente máximo de aproveitamento do terreno igual a 6 é algo que aumentará a amplitude das produções hegemônicas e heterônomas a favor das construtoras ou dos empreendedores. Para que a sociedade, como um todo, beneficia melhor da OUC, o C.A. Básico igual a 1 deve reequilibra os ganhos relativos à produção construtiva, investindo os recursos em melhorias urbanas com caráter distributivo. Neste caso, o empreendedor ou a construtora poderá construir além do C.A. Básico, até o limite máximo 6 estabelecido, pagando uma contrapartida financeira chamada Outorga Onerosa. Esses recursos permitirão:

-a implantação de habitações de interesse social nas áreas de terrenos utilizados como estacionamentos e de edificações desocupadas ou abandonadas (uso misto: comércio e serviços com pessoas de diferentes faixas de renda na mesma edificação);

-o investimento em unidade de Conservação Ambiental (redução do IPTU das edificações implantadas numa área verde feita pelo proprietário?);

-o investimento em Equipamentos Sociais (criação de área de lazer e esportes);

-o investimento em Espaços Públicos;

-o investimento em Transporte Público (melhoria de estações, ponto e terminais; vias), cicloviário (ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, bicicletários, sinalizações) e via de pedestre (calçadas, calçadões, faixas e lombofaixas, transposições e passarelas, sinalizações);

-e a criação de Áreas Verdes e Espaços Livres (praças, espaços livres, arborização).

Perspectiva do modelo segundo OAC

Projeto

A análise feita possibilitou a visualização dos usos existentes na área central da cidade de Belo Horizonte, que apresenta edificações com um grande caráter em potencial quando analisamos seu papel cultural e econômico na cidade. Muitas dessas edificações, porém, são atualmente subutilizadas, ou seja, se encontram muitas vezes desocupadas e abandonadas, são utilizadas como estacionamento ou para fins de prostituição, ou em alguns casos, recebem algumas exposições ou mostras culturais que acontecem e recebem o público apenas momentaneamente.

A área em análise apresenta edificações antigas de alto porte que sofreram o processo de tombamento e encontram-se hoje subutilizados -equivalente a 29.500m2 ou 22% do total da área, como é o caso do conjunto de edifícios onde localizava-se a Escola de Engenharia da UFMG, com um total de 7.840m2, e hoje encontra-se desocupado a espera de processos burocráticos que determinarão a ele um novo fim. O conjunto localiza-se entre grandes eixos viários, tendo uma boa conexão com linhas de ônibus, sendo próximo também da estação ferroviária e do metrô. A política de tombamento faz com que, atualmente, todos edifícios tombados acabam se tornando algum espaço cultural ou fiquem sem uma ocupação permanente. Em poucos casos, alguns realmente funcionam, proporcionando um fluxo justificável para o local. No entanto, em sua grande maioria, os edifícios acabam com o tempo ficando abandonados.

Grafico das áreas superficiais da nossa área
Grafico das áreas referentes a estacionamentos, edificações tombadas e/ou desocupadas em relação a área total superficial


Além dos edifícios tombados, grande parte dessa área é ocupada por estacionamentos, equivalente a 17.210m2 ou 13% do total e edifícios desocupados, 8.890m2 ou 7% da área em análise.


A partir disso, e a visualizando nesses edifícios uma grande potencialidade, devido, principalmente, a infra-estrutura local, levantamos o questionamento do processo de tombamento e "engessamento" do conjunto de edifícios da Escola de Engenharia, que encontra-se hoje desocupados. Cria-se portanto uma série de parâmentros a fim de se restaurar o uso da área em análise e promover a melhoria da qualidade de vida:


-criação fachadas ativas com comércio e serviços e outros empreendimentos para uso da população durante todo o periodo do dia


-oferta de equipamentos urbanos e sociais, ampliação das áreas verdes e espaços livres da cidade, além de patios internos a quarteirões


-restauro das fachadas e criação de jardins verticais e agricultura urbana com hortas e pomares para uso da comunidade local


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Perspectiva: Modelo de simulaçao de fachadas com jardins verticais

Referências

http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2015/01/Plano-Diretor-Estrat%C3%A9gico-Lei-n%C2%BA-16.050-de-31-de-julho-de-2014-Texto-da-lei-ilustrado.pdf http://www.epeabrasil.com