Hortas e Pomares na Antônio Carlos

De Projeto Paisagístico
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Texto resumido de apresentação da proposta

A proposta deste projeto consiste em um plano de ações que possam criar uma rede entre escolas de um bairro próximo de uma área vaga da Avenida Antônio Carlos em Belo Horizonte. Esta rede serviria para gerir a área, que seria utilizada pelos alunos, professores e funcionários para a criação de uma horta, pomar ou herbário. A proposta parte de uma inquietação tanto com a questão dos espaços ociosos gerados pelas grandes obras viárias e o distanciamento entre as pessoas e os alimentos de verdade.

Mapa que ilustra as áreas residuais ociosas que resultaram das obras de alargamento da avenida Antônio Carlos em Belo Horizonte.

Texto de apresentação

A avenida Antônio Carlos é uma das principais vias de Belo Horizonte e foi criada para ligar o centro da cidade à região da Pampulha. Sua implantação se deu no início da década de 40 na gestão do ex-prefeito Juscelino Kubitschek e contava com apenas 25 metros de largura naquela época. Poucos anos depois, em 1944 foram instaladas as primeiras linhas de bonde que levavam desde a praça Sete até a orla da Lagoa. Dez anos depois, em 1954, o então prefeito da cidade, Américo René Giannetti, apresentou uma proposta para realizar a primeira ampliação da avenida em questão, que passaria de 25 para 50 metros, em função do tráfego que se intensificava com o desenvolvimento da região. Entretanto a duplicação da via só foi realizado recentemente em 2005, quando ela passou a ter 52 metros, numa obra que durou até o final de 2010 e foi responsável por uma drástica mudança na paisagem local, gerando desapropriações e espaços ociosos. Após o alargamento a avenida passou a ter duas faixas exclusivas para ônibus que em 2014 foram adaptadas para a implantação do MOVE, que conta com diversas estações ao longo da via em questão.

Tendo em vista os aspectos históricos levantados, podemos dizer que a população de Belo Horizonte presenciou diversas intervenções urbanas realizadas pela prefeitura local. Grande parte dessas obras são de caráter viário e sem qualquer consulta aos cidadãos. Desta forma são criadas vias, bairros são mutilados, rios são canalizados e tampados, áreas verdes são comprometidas, entre outras consequências. Recentemente uma dessas intervenções, a já mencionada ampliação da avenida Antônio Carlos, desapropriou diversas casas, ampliou a pista para carros e comprometeu o acesso de pedestres aos bairros vizinhos. Além disso muitas áreas ociosas foram sendo formadas e pouco uso é dado a elas, muito por conta dos acessos e da falta de incentivos por parte da prefeitura e até mesmo por conta dos empecilhos que a mesma coloca em seu código de posturas (onde é expressamente proibido se apropriar dessas áreas, seja pra qual uso for).

Pensando nessas questões e nos possíveis desdobramentos que o tema pode proporcionar, este trabalho busca articular atores locais, agentes públicos e o espaço urbano apropriável para que fossem criadas hortas e pomares urbanos nas áreas atualmente sem uso. A ideia é que locais de uso coletivo como creches, escolas, asilos, entre outros, possam ter uma relação espacial de cultivo de espécies de frutas, ervas, flores, vegetais etc. Mas além do uso da terra para plantar, essas ações devem estar atreladas a propostas de mudanças de comportamento alimentar, atividades que possam demonstrar o quão importante é etais, mas saibam de comer alimentos que não passem por processos industriais e que sejam identificados como alimentos. É preocupante o cenário em que crianças não conseguem distinguir as frutas e os vegetais, mas saibam de cor o nome de biscoitos recheados e salgadinhos de milho transgênico, como pode ser observado no documentário Muito Além do Peso (Estela Renner, 2012).

Metodologia

A metodologia adotada para a elaboração deste projeto leva em consideração que a escala da ação proposta está a nível local e seus desdobramentos estão limitados a pouco mais de 5 quarteirões dentro de um bairro. A ideia é colocar em contato, através de uma rede, escolas, alunos, professores, pais, funcionários etc. Nessa rede haveriam discussões acerca da transformação de uma área ociosa à margem da avenida Antônio Carlos que seria cedida pela prefeitura para a apropriação em forma de horta, pomar, herbário ou algo do gênero. Além de ceder o local, o poder público seria responsável por viabilizar as reuniões, os materiais utilizados, auxílio técnico, dentre outros insumos.

Atualmente existem em Belo Horizonte diversos grupos ligados às questões de permacultura urbana, que discutem formas de se utilizar a cidade para praticar o plantio e a preservação das espécies vegetais. O conhecimento gerado por essas iniciativas poderia ser de grande contribuição para a implantação da rede citada, além de ser razoável pensar que esses atores estivessem em contato com as escolas da rede, organizando ciclos de palestras, debates sobre alimentação, tudo isso no âmbito local das escolas.

Relação da proposta com a OUC

Apesar de existir dentro da prefeitura de BH uma discussão sobre a utilização de áreas verdes e ociosas na cidade para cultivo, essas questões não foram abordadas no texto de diretrizes e parâmetros da OUC. Na parte relativa ao meio ambiente temos as seguintes propostas em termos gerais:


“A Estrutura Ambiental busca valorizar as potencialidades de cada região da OUC, aumentando as áreas verdes e melhorando em quantidade e qualidade os espaços de uso público. Através da requalificação ambiental de vias e espaços estratégicos serão criados ambientes mais agradáveis com maior conforto e acessibilidade a todos os moradores e usuários da área da OUC. Uma rede de praças, parques urbanos e áreas verdes de lazer e de convívio está proposta no intuito de integrar o tratamento de questões ambientais importantes à ocupação urbana da cidade. Além disso, pretende-se melhorar a gestão ambiental do espaço, contribuindo para a busca de soluções de várias demandas pontuais que juntas formatam em parte a pauta da agenda ambiental do município. dos por meio de Nesse sentido, soluções diferenciadas de uso e ocupação do solo abarcam conceitos de gerenciamento dos recursos hídricos, resíduos sólidos, drenagem urbana, saneamento básico, entre outros.”


Diagrama que ilustra possibilidades de usos para áreas ociosas na Avenida Antônio Carlos em Belo Horizonte.

Referências

[1] MATTOS, P. C. de. Manual do Espaço Público de Belo Horizonte. 2013.

[2] Site da Horta da Rua Capelinha.

[3] Site do Adote o Verde.

[4] Blog Curral del Rey

[5] Página no Facebook da Ocupação do Cafezal